Porto Rico: “É hora de reconstruir a democracia”, dizem os bispos

| 25 Jul 19 | Direitos Humanos, Estado, Política e Religiões, Igreja Católica, Sociedade - homepage, Últimas

Cúpula da catedral de San Juan Bautista, de Porto Rico: depois da tempestade do ano passado, o país está de novo no olho de um furacão, desta vez político. Foto © Daderot/Wikimedia Commons

 

“É a hora de reconstruir-nos como país democrático, unindo vontades para desenvolver novas políticas de governo que ajudem no desenvolvimento integral da pessoa e na ampla cura da sociedade porto-riquenha”, dizem os bispos católicos de Porto Rico, numa mensagem depois da demissão do governador Ricardo Roselló, pressionado pela contestação pública que durava há 12 dias.

Os protestos começaram por causa da publicação de conversas entre o governador e os seus ministros entre Novembro do ano passado e Janeiro deste ano, nas quais se insultavam as mulheres, os homossexuais, os obesos, as pessoas com deficiência, os doentes e os mortos do furacão Maria, que provocou pelo menos 4.650 mortos (mas sem que haja números oficiais). Com a crise económica em que o país já se encontra há algum tempo, e com os dados da ajuda à reconstrução sonegados pelo governo, as revelações das conversas levaram ao desencadear de protestos, conta a agência Fides, órgão de informação das Obras Missionárias Pontifícias.

As mensagens são ofensivas, misóginas, homofóbicas e discriminatórias, e falam de políticos, jornalistas e pessoas conhecidas. No final da semana passada, dia 19, mais de 100 mil pessoas manifestaram-se só na capital, num país com cerca de 3,4 milhões de habitantes, a maioria dos quais (cerca de 56%) professa o catolicismo.

Num primeiro momento, os bispos solidarizaram-se com os manifestantes, acabando por pedir de forma clara a demissão de Roselló, o que acabou por se concretizar na noite de quarta-feira. No discurso em que anunciou a demissão, na sede do Governo, Ricardo Roselló disse que deixará o cargo no dia 2 de Agosto, defendeu o carácter “privado” das conversas.

Ao mesmo tempo, o governador demissionário argumentou com as condições adversas em que trabalhou, incluindo o furacão Maria e a hostilidade do Governo federal em Washington – Porto Rico é um estado livre associado dos Estados Unidos, com autonomia de governo e sem representação no Congresso. O Presidente dos EUA não deu prioridade à ajuda a Porto Rico na sequência do furacão, tendo-se agora colocado do lado do governador.

Os bispos católicos (entre os habitantes há ainda cerca de 33% de protestantes) pedem agora que “cada cidadão ou cidadã, não importa de que cor, credo, sexo ou partido político, possa dar o melhor de si para iniciar uma nova etapa na história” de Porto Rico. “Façamos deste momento uma grande oportunidade para unir-nos como povo e trabalhar juntos (…) na busca do bem comum para superar a crise fiscal, a corrupção, a violência e outros males”, diz o texto, assinado pelo bispo Rubén A. González Medina, da dioceses de Ponce e presidente da Conferência Episcopal de Porto Rico.

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