
A cada segundo, 80 toneladas de comida são desperdiçadas em todo o mundo e um terço dos alimentos produzidos é atirado para o lixo. Foto: Direitos reservados.
Em Portugal, há anualmente um milhão de toneladas de bens alimentares desperdiçados, que nunca chegam ao prato de alguém. Essa quantidade daria para 50 mil refeições diárias. “É imoral que uma parte da população que tem acesso aos bens alimentares ainda se dê ao luxo de os desperdiçar”, diz o coordenador do movimento Unidos Contra o Desperdício (UCD), Francisco Mello e Castro, em declarações ao Expresso (ligação disponível apenas para assinantes).
As afirmações surgem a propósito do Dia Internacional da Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar, assinalado nesta quarta-feira, 29. A cada segundo, recorda a mesma fonte, 80 toneladas de comida são desperdiçadas em todo o mundo – ou seja, 2,5 mil milhões de toneladas são desaproveitadas anualmente – e um terço dos alimentos produzidos é atirado para o lixo.
Dito com outros números: uma em cada quatro calorias nunca chega a nutrir alguém, ao mesmo tempo que 690 milhões de pessoas passam fome todos os dias.
Também em declarações ao Expresso, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas considera que este “é claramente um problema de grande dimensão”, que se tornou “uma prioridade pública e política nos últimos anos em termos internacionais”. Alexandra Bento chama a atenção para o facto de, no ano passado, durante o primeiro confinamento motivado pela pandemia, uma em cada três famílias portuguesas estarem em risco de insegurança alimentar, sendo que “a comida desperdiçada gera ainda mais lixo”, além de estarem a perder-se “recursos naturais”.
“Gastamos água, gastamos os solos, gastamos energia e, em última instância, gastamos mão-de-obra. Tudo isto se perde para nada”, observa a bastonária da Ordem dos Nutricionistas. “Estamos a desperdiçar aquilo que é de todos nós: o planeta. E não estamos a utilizar este recurso precioso para alimentar quem mais precisa”, diz Alexandra Bento, citada pela mesma fonte.
De acordo com a bastonária, “desde a colheita até ao posto de venda perdem-se à volta de 70% dos alimentos e os restantes 30% são desperdiçados em casa”. Significa que há “uma responsabilidade partilhada e que por isso exige também uma ação conjunta”.
O coordenador do movimento UCD sugere tarefas simples para ajudar a evitar o desperdício: “Fazer uma lista de compras, não ir com fome para o supermercado ou não ter vergonha de pedir para levar para casa as sobras do que não se comeu no restaurante.” Também os alimentos cujo rótulo diga “consumir de preferência antes de” podem eventualmente ser consumidos, desde que se perceba o seu bom estado com três gestos: observar, cheirar e provar.
O movimento Unidos Contra o Desperdício arranca esta quarta-feira com uma campanha de sensibilização, que tem como pontapé de saída uma sessão no Banco Alimentar de Lisboa, onde vão estar reunidos vários sectores da cadeia alimentar.
Em Maio, os empresários Cláudia Azevedo e Pedro Soares dos Santos, ambos patrões de empresas de distribuição, citados também no Expresso, chamavam a atenção para o facto de as empresas que queiram doar alimentos terem de pagar impostos, ao contrário do que acontece quando os deitam fora.










