Portugueses valorizam a fé mas têm pouca confiança nos padres

| 3 Jun 19

Uma sondagem publicada neste domingo, 2 de junho, na edição do seu 131º aniversário, o Jornal de Notícias revela as percepções dos portugueses quanto à fé e quanto à confiança que lhes merecem diferentes profissões, entre as quais os padres.

Uma primeira questão perguntava aos portugueses o que acham de si próprios. A sondagem revela que os inquiridos consideram haver na sociedade portuguesa uma forte valorização do cuidado das crianças, mas uma fraca preocupação com as gerações mais velhas. De facto, só 22 por cento dos inquiridos entendem que existe uma forte ou muito forte preocupação com os idosos (se comparado com os animais, por exemplo, esse valor sobe aos 34%).

Numa listagem de 12 possibilidades, as mais pontuadas são as que os dão como “desenrascados” e “trabalhadores”. No fundo da tabela estão características como “ser organizado” e “ser racista”, que os respondentes entendem que os portugueses são pouco ou nada. Por outro lado, bem posicionada aparece a característica dos portugueses como “pessoas de fé”. De facto, 63 por cento entendem que isso é muito ou totalmente verdade e apenas 6 por cento têm posição contrária.

Era também fornecida aos inquiridos uma lista de nove profissões, solicitando que indicassem o grau de confiança que depositavam em cada uma delas. As de enfermeiro e de médico são as que merecem mais confiança, situando-se a de advogado na última posição e a de padre na penúltima.

Comentando a convite do jornal o aparente desfasamento entre a adesão à fé e a confiança no clero, o sociólogo João Teixeira Lopes, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, adianta a possibilidade de se estar perante “uma fé sem igreja”, explicando: “Somos religiosos à la carte. Há uma relação com Deus, mas a vida é dissociada das instituições religiosas“.

A sondagem foi feita para o JN  e rádio TSF e resultou de dados recolhidos pela empresa Pitagórica via telefone junto de 605 indivíduos, entre os dias 10 e 19 de maio último (margem de erro máxima de +-4,07% e para um nível de confiança de 95,5%).

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