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Decoração com velas para assinalar a festa hindu do Diwali. Foto Studio India

Mensagem do Vaticano pelo Diwali

“Possamos nós, cristãos e hindus, esforçar-nos por nos tornarmos artesãos da paz”

| 09/11/2023

Decoração com velas para assinalar a festa hindu do Diwali. Foto Studio India

Diwali, ou Deepavali, significa literalmente “fileira de lamparinas de óleo”, que representam a vitória da luz sobre as trevas, ou do bem sobre o mal.  Foto © Studio India.

 

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, do Vaticano, incentivou cristãos e hindus a “trabalhar juntos” para que “todos possam desfrutar de uma paz genuína e duradoura”, numa mensagem por ocasião da festa do Diwali (ou Deepavali), que os hindus celebram no próximo domingo, 12 de novembro.

A mensagem, assinada pelo cardeal Miguel Ángel Ayuso Guixot, presidente daquele organismo da Santa Sé, e Indunil Kodithuwakku Janakaratne Kankanamalage, secretário, recorda a encíclica Pacem in Terris (Paz na Terra), escrita há 60 anos pelo Papa João XXIII:  “Quando o mundo estava profundamente perturbado e à beira de uma guerra nuclear, esse Documento emitiu um apelo oportuno, apaixonado e muito necessário aos líderes mundiais e às pessoas para que trabalhassem juntos pela paz, e instou-os a encontrar soluções amigáveis para os problemas, num espírito de confiança mútua, através do diálogo e das negociações”.

“Inspirados pela visão elevada que a Pacem in Terris propôs para a pacificação”, Guixot e Kankanamalage assinalam que “a plena realização da sua profecia de paz continua a ser um sonho distante, que só pode ser realizado através de esforços colaborativos por parte de homens e mulheres de todas as tradições religiosas e de todos os sectores da sociedade”. Defendem, por isso, que “estes esforços devem prosseguir e registar novos progressos”.

João XXIII, “homem de profunda esperança”, inspirou esta mensagem do Vaticano. Foto: Direitos reservados.

 

Reconhecendo que, tal como em 1963, também agora “o pessimismo e o desânimo podem estar presentes”, consideram ser necessário fazer como João XXIII, “homem de profunda esperança”, que “permaneceu convencido de que a paz é possível, desde que seja baseada na verdade, na justiça, no amor e na liberdade”.

“Como crentes, precisamos de expressar a nossa aspiração à paz através de esforços consistentes e concertados, alicerçados numa fidelidade inabalável a esses pilares”, dizem os responsáveis do Vaticano aos hindus.

E acrescentam, citando o Papa Francisco: “o diálogo inter-religioso possui um grande potencial para nutrir a confiança mútua e a amizade social entre as comunidades inter-religiosas e tornou-se, de facto, uma condição necessária para contribuir para a paz no mundo”.

Significa isto que “cabe às religiões e aos líderes religiosos esforçarem-se por encorajar os seus seguidores a serem pessoas cujas vidas são moldadas pela verdade, justiça, amor e liberdade”, refere a mensagem.

E conclui: “Como crentes e líderes das nossas respectivas religiões, com convicções comuns e um sentido de responsabilidade partilhada pelo bem-estar da humanidade, possamos nós, cristãos e hindus, esforçar-nos sinceramente por nos tornarmos artesãos da paz, dando as mãos aos seguidores de outras tradições religiosas e a todas as pessoas de boa vontade”.

A festa do Diwali, ou festival da luz, comemora o regresso de Rama, um dos avatares do deus Vishnu, ao seu reino de Ayodhya, após ter completado um exílio de 14 anos. Diwali, ou Deepavali, significa literalmente “fileira de lamparinas de óleo”, que representam a vitória da luz sobre as trevas, ou do bem sobre o mal, da verdade sobre a mentira e da vida sobre a morte.

É também festejada por sikhs, budistas e jainistas. A Comunidade Hindu de Portugal assinala o Diwali todos os anos, como o 7MARGENS já noticiou no passado.

 

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