Prefácio ao novo livro de Aura Miguel

“Precisamos de jovens despertos, que se interessem pelos outros”… e as JMJ podem ajudar, diz o Papa

| 2 Mai 2023

grupo de jovens, foto JMJ Lisboa 2023

Na perspetiva do Papa, as Jornadas Mundiais da Juventude são “um antídoto contra o balconear, contra a anestesia que leva a preferir o sofá, contra o desinteresse”. Foto  © JMJ Lisboa 2023.

 

O Papa foi dos primeiros a ter nas mãos o livro que a jornalista portuguesa Aura Miguel lança esta quinta-feira, 4 de maio, depois de ter aceite o desafio que esta lhe fez para que escrevesse o prefácio. Ao ler “Um Longo Caminho até Lisboa”, em que a vaticanista da Rádio Renascença conta como foi acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) ao longo dos últimos 30 anos, Francisco refletiu sobre os jovens de hoje. No seu texto, escreve sobre aquilo que o preocupa em relação a eles, e sobre como as JMJ podem ser parte da solução.

Estamos a viver uma “mudança de época”, a qual “representa um desafio também e sobretudo para as jovens gerações”, assinala o Papa. Neste novo tempo em que os jovens se tornaram “nativos digitais”, eles “correm diariamente o risco de se autoisolarem, de viverem grande parte da sua existência no ambiente virtual, acabando por ficar reféns de um mercado agressivo que induz falsas necessidades”, alerta Francisco no texto que a Renascença divulgou esta terça-feira.

É por causa desse risco que o Papa diz insistir no apelo que frequentemente faz aos jovens “a não balconear, ou seja, a não ficar na varanda a ver a vida passar, como observadores que não interferem, que não sujam as mãos, que interpõem o ecrã de um telemóvel ou de um computador entre eles e o resto do mundo”.

Os jovens, defende Francisco, precisam de repetir as palavras do padre Lorenzo Milani: “I care”, ou seja: “Interessa-me, é-me caro”. Uma atitude que assume ainda mais importância “hoje, depois da experiência terrível da pandemia, que nos colocou a todos dramaticamente perante o facto de que não somos os donos da nossa vida e do nosso destino, e de que só nos podemos salvar juntos”, e numa altura em que “o mundo se precipitou no vórtice da guerra e do rearmamento”.

Um Longo Caminho ate Lisboa, novo livro de Aura Miguel. Foto © Bertrand Editora

Em “Um Longo Caminho até Lisboa”, Aura Miguel faz um relato sobre as 13 Jornadas Mundiais da Juventude a que assistiu de perto. Foto © Bertrand Editora.

Face a este cenário, os jovens são “chamados a dizer ‘We care’, interessa-nos, o que acontece no mundo é-nos caro; os sofrimentos de quem sai de casa e corre o risco de não voltar, o destino de tantos coetâneos que nasceram e cresceram em campos de refugiados, a vida de tantos jovens que, para fugirem a guerras e perseguições, ou mesmo somente para procurarem algo para sobreviver, enfrentam a travessia do Mediterrâneo e morrem engolidos pelos abismos”, exemplifica Francisco no prefácio que escreveu para o novo livro de Aura Miguel.

Na perspetiva do Papa, as Jornadas Mundiais da Juventude são precisamente “um antídoto contra o balconear, contra a anestesia que leva a preferir o sofá, contra o desinteresse”. E se é verdade que “precisamos hoje de jovens despertos, desejosos de responder ao sonho de Deus, que se interessem pelos outros”, também é verdade que as JMJ “são um acontecimento de graça que desperta, alarga o horizonte, potencia as aspirações do coração, ajuda a sonhar, a ver mais além. São uma semente plantada que pode trazer bons frutos”.

Mas Francisco deixa o alerta: “não basta fazer uma experiência ‘forte’ se depois esta não é cultivada, se não encontra um terreno fértil para ser sustentada e acompanhada”.

Em “Um Longo Caminho até Lisboa”, Aura Miguel faz um relato sobre as 13 Jornadas Mundiais da Juventude a que assistiu de perto, de Santiago de Compostela à Cidade do Panamá, entre 1989 e 2019, acompanhando os Papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

O livro inclui detalhes e histórias curiosas de cada Jornada e dá conta das evoluções e os grandes debates da Igreja Católica
das últimas décadas, para além de dar a conhecer um pouco da personalidade e do essencial do pensamento de cada Papa e da forma como a juventude tem acorrido em massa às Jornadas Mundiais da Juventude.

 

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