Precisamos de nos ouvir (36): Margarida Paulino: Teleterapia… ou telequalquer coisa

| 19 Mar 21

“As conversas são por chamada ou videochamada, dependendo do grau de timidez ou vergonha”. Foto: Garridas, Santo André das Tojeiras (Castelo Branco), 2021. © António José Paulino.

 

É incrível como num espaço de apenas um ano já adquirimos tantas competências informáticas e já temos a vivência de dois confinamentos e por isso uma experiência vasta em teletrabalho – no meu caso, teleterapia. Sou psicóloga e trabalho num Centro de Recursos para a Inclusão que presta apoio terapêutico a cerca de 300 crianças de vários agrupamentos do distrito de Lisboa.

No meu caso, a terapia que presto é o acompanhamento psicológico a 34 crianças e adolescentes.

No primeiro confinamento o maior problema foi conseguir chegar a todos, pois muitos dos meus alunos não tinham computador ou eram demasiado pequenos para conseguirem estar sozinhos, em frente a um ecrã. Sim, porque nas sessões de psicologia temos de garantir a confidencialidade e a privacidade. Como se pode imaginar, essa condição foi várias vezes violada.

Apareci em almoços de família, conheci os avós e até à casa-de-banho fui, apesar de gritar do outro lado NÃAAAAooooo. Foram tempos desafiantes, mas também divertidos. Procurei outras ferramentas para os cativar e estar mais próxima deles. Em setembro, quando regressei, foi uma festa: que saudades tinha de os ver, de os sentir perto.

Foi tão bom!

Mas logo viemos para casa outra vez. Já não era novidade e, portanto, em vez de inventar muito, simplesmente passei a planear as sessões como se estivesse na escola.

As brincadeiras recomeçaram, os bolos são provados pelo ecrã, as lutas entre o Godzilla e o Homem-Aranha fazem-se dos dois lados do computador ou telemóvel, com uma naturalidade que até assusta.

As conversas são por chamada ou videochamada, dependendo do grau de timidez ou vergonha – e tudo bem.

“Posso almoçar enquanto falamos?”; “Só um bocadinho que tenho de ir acordar o meu irmão”; “Onde estás?”; “No carro, as minhas irmãs estavam aos berros”; “Posso-te mostrar a música nova que aprendi no piano?” “Estás na cama?” “Sim, podemos falar assim… eu gosto mais”.

Devo admitir que, apesar de tudo isto me parecer absurdo há uns anos, agora já não. Vejo antes a situação como uma oportunidade de estar mais próximo de cada um, conhecendo melhor cada criança ou adolescente com quem lido.

E além disso: se não fosse assim, como seria? Temos de nos adaptar, não é? Que remédio temos?

“Apesar de tudo isto me parecer absurdo há uns anos, vejo agora a situação como uma oportunidade de estar mais próximo de cada um.” Foto: Graça, Lisboa, 2011. © Margarida Gonçalves Paulino.

 

Margarida Gonçalves Paulino é psicóloga

 

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