Precisamos de nos ouvir (2) – Hugo Nogueira: Mostrar que o sistema funciona

| 12 Fev 21

jogo, cidade

Foto © Miguel Veiga

 

Finais de fevereiro de 2020, em Frankfurt (Alemanha), nevava e eu apreciava o momento por ser algo que tão poucas vezes presencio por ser um alfacinha de gema, mas com admiração enorme pela vida e por quem vive no campo.

Mais tarde, nesse dia, num restaurante com colegas portugueses, um deles partilhava connosco um vídeo de um cidadão asiático, provavelmente chinês, que após uma medição de temperatura, se vira compelido, com alguma agressividade, a entrar no carro da autoridade policial. Incrédulos, questionámos a atitude desta autoridade e individualmente, em silêncio, agradecíamos por vivermos num país de brandos costumes. Infelizmente, desconhecíamos o que, um mês depois, nos viria a acontecer.

No dia 18 de março veio o Estado de Emergência e a limitação à circulação de pessoas. Veio o primeiro confinamento. Os telejornais abriam com os novos casos, com os falecimentos e com notícias derivadas e que exigiam a nossa atenção para adquirirmos novos conhecimentos e comportamentos.

cozinha, azulejo,

“Cozinhar era uma ciência exigente como é a matemática para alguns alunos…” Foto © Miguel Veiga

 

Via-me, agora, sozinho. Com os meus pais distantes, e sem poder estar com amigos, dediquei algum tempo àquilo que menos por casa fazia: limpar e cozinhar. Cozinhar era para mim uma ciência exigente como é a matemática para alguns alunos do 12.º ano. Demora muito tempo, é muito complicado, não sei fazer, isto é para chef… É fantástica a quantidade de barreiras que inventamos a nós próprios. Mas agora não tinha alternativa. O que interessa é começar, primeiro um passo e outro a seguir. Errar, sim, faz parte, é uma dor de crescimento. E passado algum tempo o que era para mim uma ciência exigente passou agora a ser um momento zen, de pausa e criatividade. Via-me agora a ver os programas do 24 Kitchen e depois a tentar reproduzir algumas receitas.

Os amigos, entretanto, voltaram a estar presentes, ainda que de forma diferente. Através de videochamada bebíamos cerveja e tínhamos algumas tertúlias e alguns momentos disparatados.

Veio o verão, com limitações e preocupações que nunca pensei ter. Sempre de máscara, até ao estender da toalha. Ir à água só quando havia espaço. Poucos foram os momentos de convívio, mas com familiares próximos lá conseguia companhia para beber uma cerveja.

E na última semana de novembro uma notícia assustadora. O meu cunhado contraía esta terrível doença de 2020 e em poucos dias estaria ligado à máquina, inconsciente. Só a fé, em Deus e na equipa médica, nos podia ajudar. Mas porquê? Era o que mais perguntava, indignado, revoltado e sem que ninguém me pudesse responder. Foram algumas semanas de agonia até que, por fim, saiu dos cuidados intensivos. Ainda a recuperar e necessitando de suporte para caminhar. Faz agora fisioterapia para restaurar a massa muscular que perdeu. Reconhece, contudo, que teve sorte no meio deste infortúnio. Se a doença o apanhasse um mês mais tarde, a atenção hospitalar que teve não seria a mesma.

Mas estas agonias irão acabar? À medida que a vacina nos traz esperança, notícias de cortes e despedimentos por parte de entidades empresariais assolam-nos recorrentemente. Ainda temos presente o período da troika e não o queremos ter de novo.

Esperamos que, em 2021, a pandemia seja vencida e não exista uma nova crise económica e social. Se existir, é necessário apoiar, apoiar e apoiar todos aqueles que dela venham a sofrer. É necessário mostrar que o sistema funciona e que ajuda aqueles que por infortúnio tenham perdido emprego, ou atravessado uma situação gravosa que tenha levado à perda de rendimentos. Se não o fizermos, haverá sempre aqueles que por palavras demagógicas, usando uma classe, uma etnia, um (grupo de) culpado(s), encantarão os descontentes. Mas no fundo o que pretendem é roubar-nos a liberdade que os nossos pais/avós conquistaram.

Hugo Nogueira é economista

 

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