Precisamos de nos ouvir

Precisamos de nos ouvir (41) – Dina Pinto: Rostos que não vemos, ecos que não ouvimos

Precisamos de nos ouvir (41) – Dina Pinto: Rostos que não vemos, ecos que não ouvimos

Olhamos ao nosso redor e nem sempre compreendemos que, embora nos cruzemos com rostos que não vemos e com ecos que não ouvimos, há em cada pessoa uma essência verdadeiramente extraordinária. A máscara como mediação, através da qual um Eu olha para o mistério de outro Eu, faz ressoar a verdadeira essência da vida em sociedade: por detrás de cada máscara, há um rosto a ser cuidado mas, ao mesmo tempo, uma grande batalha a ser vencida.

Precisamos de nos ouvir (38) – Tomás Sopas Bandeira: Apontamentos sobre um mundo indiferente a ele mesmo

Precisamos de nos ouvir (38) – Tomás Sopas Bandeira: Apontamentos sobre um mundo indiferente a ele mesmo

O sofrimento não se mede por uma escala. Não há vidas mais e menos importantes. Mas não consigo negar o meu ensimesmamento diante de um mundo que me parece demasiado estranho. Venho de um país que vive numa bolha, de uma sociedade que desconhece o mundo em que habitamos. As campanhas de vacinação vão avançando em alguns países. Há quem levante a voz por uma distribuição global das vacinas mais igualitária. Mas quantos de nós em Portugal sequer ouvimos falar desse milhão de vidas que de um dia para o outro perderam tudo o que tinham?

Precisamos de nos ouvir (37) – Paulo Melo: Memória de meu Pai

Precisamos de nos ouvir (37) – Paulo Melo: Memória de meu Pai

O meu Pai era assim. Evitava as festas e encontros de sociedade, criava cumplicidades com aqueles, familiares ou amigos, de quem gostava. Cultivava uma indolência que não era necessariamente estéril e que, para mim, foi, neste segundo confinamento, motivo de reflexão e edificação. Num tempo em que a produtividade, a performance, o reconhecimento público são valores socialmente dominantes, reconheço no jeito de viver do meu Pai, com defeitos e manias, um desafio a reavaliar o que realmente conta na vida.

Precisamos de nos ouvir (36): Margarida Paulino: Teleterapia… ou telequalquer coisa

Precisamos de nos ouvir (36): Margarida Paulino: Teleterapia… ou telequalquer coisa

É incrível como num espaço de apenas um ano já adquirimos tantas competências informáticas e já temos a vivência de dois confinamentos e por isso uma experiência vasta em teletrabalho – no meu caso, teleterapia. Sou psicóloga e trabalho num Centro de Recursos para a Inclusão que presta apoio terapêutico a cerca de 300 crianças de vários agrupamentos do distrito de Lisboa.

Precisamos de nos ouvir (32) – Inês Azevedo: Derivas

Precisamos de nos ouvir (32) – Inês Azevedo: Derivas

Há que prestar atenção aos que estão desprotegidos, aos idosos, às crianças e aos jovens. Atender aos adultos, a quem as oportunidades de viver dignamente tenham sido dificultadas. Estas atenções não se resumem a dar o que consideramos ser melhor, mas a dar ouvindo as suas inquietações e agindo em colaboração.

Precisamos de nos ouvir (29) – Álvaro Laborinho Lúcio: Pandemia, heróis e sorrisos

Precisamos de nos ouvir (29) – Álvaro Laborinho Lúcio: Pandemia, heróis e sorrisos

E, de repente, o absurdo! Um vírus mau chegou-se à globalização e aproveitou-se dela. Um novo Anti-Cristo levou-nos a fugir das igrejas, a correr para casa, a guardar aí a fé e a descobrirmos como é pequena a diferença entre ciência e filosofia. Da ciência, reclamamos agora vacina, tratamento e cura. À filosofia, pedimos vida, isto é, pensamento, compaixão, humanidade.

Precisamos de nos ouvir (28) – Francisca Pimentel: A vida conjunta passou a ser intensa

Precisamos de nos ouvir (28) – Francisca Pimentel: A vida conjunta passou a ser intensa

Numa família a vida conjunta passou a ser intensa. É muito tempo juntos, são muitas necessidades, algumas exigências, birras e bastantes gargalhadas.

Estes tempos na cidade são duros, stressantes, solitários e muito, muito, sufocantes. No campo, existe uma leveza, o ar puro, a possibilidade de acompanhar as transformações da natureza, o simples abrir a porta e poder sair sabendo que não estamos a infringir a lei, nem a desrespeitar nenhuma regra; simplesmente é um privilégio que temos e estamos a usufruir dele ao máximo.

Precisamos de nos ouvir (25) – Fátima Almeida: A transfiguração do Desenvolvimento

Precisamos de nos ouvir (25) – Fátima Almeida: A transfiguração do Desenvolvimento

Há tempos e momentos que são mais propícios à reflexão e à interiorização, oferecendo-nos oportunidades de pensar, ou repensar, atitudes pessoais e realidades coletivas. E são estas oportunidades de refletir que, normalmente, nos abrem perspetivas de mudança, de ver novas formas de viver, de olhar novas respostas para combater injustiças, pobrezas e violações dos Direitos Humanos.

Precisamos de nos ouvir (24) – Ivo Neto: O que aprendemos na saúde mental com a pandemia?

Precisamos de nos ouvir (24) – Ivo Neto: O que aprendemos na saúde mental com a pandemia?

A avó estava a dias de fazer 90 anos e a mesa para juntar a família reservada, não muito longe de casa para ela não se cansar. Tinha começado há dias no Público e a Rita estava animada com a viagem aos Açores marcada para Maio. Ela foi a primeira. Veio para casa a pensar que na quarta-feira regressava ao trabalho, ao ginásio e, no fundo, à vida normal. Mas não. Na semana seguinte foi a minha vez de fazer da casa, a redacção.

Precisamos de nos ouvir (22) – António Durães: Talvez a arte nos possa continuar a salvar

Precisamos de nos ouvir (22) – António Durães: Talvez a arte nos possa continuar a salvar

Por força não sei de que determinação, o meu mundo, o mundo teatral, divide-se, também ele, em duas partes. Não há Tordesilhas que nos imponha o mundo assim, mas a verdade teatral determina-o: o mundo da sala e o mundo do palco. A cortina de ferro divide esses dois mundos de forma inexorável. Por razões de segurança, mas também por todas as outras razões. E esses dois mundos apenas se comunicam, quando o Encontro, como chamavam alguns antigos ao espectáculo, se dá.

Precisamos de nos ouvir (21) – Luísa Ribeiro Ferreira: Um confinamento na companhia de Espinosa

Precisamos de nos ouvir (21) – Luísa Ribeiro Ferreira: Um confinamento na companhia de Espinosa

Recebi do 7MARGENS um convite para escrever sobre a minha experiência desta pandemia, partilhando a fragilidade da condição que actualmente vivemos. Respondo recorrendo a Espinosa, o filósofo com quem mais tenho dialogado e que durante o presente confinamento revisitei várias vezes, quer por obrigação (atendendo a compromissos) quer por devoção (a leitura das suas obras é sempre gratificante).

Precisamos de nos ouvir (20) – P. Luís Marinho: A quem pertences?

Precisamos de nos ouvir (20) – P. Luís Marinho: A quem pertences?

A liturgia daquele 2º domingo de setembro de 2020 dava-nos a ouvir breves e incisivas frases da Carta aos Romanos: “Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor.” A minha memória foi tomada pela letra de uma canção que povoou o meu imaginário juvenil – um sentido grito de liberdade!

Precisamos de nos ouvir (13) – Teresa Vasconcelos: Ponto Pé de Flor e confinamento

Precisamos de nos ouvir (13) – Teresa Vasconcelos: Ponto Pé de Flor e confinamento

Bordar a ponto pé de flor é uma atividade muito repousante, pelo menos para mim. Sempre um ponto maior à frente e um ponto menor atrás, traçando linhas e curvas que trazem ritmo e consistência ao bordado. Tenho feito muito ponto pé de flor ao longo de um confinamento que dura há quase um ano. Fazer ponto pé de flor relaxa-me, insere as minhas mãos num movimento rítmico.

Precisamos de nos ouvir (12) – Paulo Pereira de Carvalho: O ar comum

Precisamos de nos ouvir (12) – Paulo Pereira de Carvalho: O ar comum

Pudéssemos nós ainda acreditar no poder redentor das pandemias e faríamos a lista do que aprendemos com esta e do que é necessário fazer politicamente a partir de agora num contexto diferente do anterior… mas sabemos, de antemão, que o tão publicitado Novo Normal nada trará de novo e que, pela parte de quem detém o poder, nos espera a tentativa desesperada de repor o Antigo Normal, segundo fórmula conhecida.

Precisamos de nos ouvir (11) – Clara Lito: Abraçar a realidade

Precisamos de nos ouvir (11) – Clara Lito: Abraçar a realidade

Continuo a cruzar-me todos os dias com muitas pessoas; no bairro onde vamos, um bairro de intervenção prioritária, continuamos a poder ter atividades com as crianças. E vivo em comunidade, por isso, quando chego a casa não estou sozinha, como tantos outros… Sim, não estou confinada, não me sinto angustiada… sou uma privilegiada!

Precisamos de nos ouvir (8) – Isaac Assor: Manter a esperança

Precisamos de nos ouvir (8) – Isaac Assor: Manter a esperança

Estes duros meses, quase um ano, em que vivemos com a pandemia causada pela covid-19, têm-me levado a refletir sobre tantos e tantos assuntos, temas, coisas… Há algo que tenho tanta vontade de dizer e repetir em público: não percam a esperança – iremos vencer e ultrapassar esta crise pandémica!

Precisamos de nos ouvir (5) – Lídia Jorge: Metamorfose

Precisamos de nos ouvir (5) – Lídia Jorge: Metamorfose

(e foto da página principal): Tollymore Forest Park, Irlanda do Norte. © Maria Marujo     Quando fiz treze anos passei a interessar-me pelos bichos da seda. Passava horas debruçada sobre uma caixa de cartão onde uma vintena de lagartas tosavam folhas de...

Precisamos de nos ouvir (4) – Miguel Panão: Saudades das caras

Precisamos de nos ouvir (4) – Miguel Panão: Saudades das caras

Numa rua com uma simples brisa, não há motivo para não mostrar a minha cara. Os aerossóis são dispersos por uma simples brisa. Só nos espaços mais fechados ou pouco ventilados é que corremos o risco de nos infectarmos. Tenho saudades das caras, e penso que esta pandemia ajudar-nos-á a descobrir facetas desconhecidas da nossa identidade, ou a re-definir o que nos identifica.

Precisamos de nos ouvir (2) – Hugo Nogueira: Mostrar que o sistema funciona

Precisamos de nos ouvir (2) – Hugo Nogueira: Mostrar que o sistema funciona

Um dos colegas partilhava connosco um vídeo de um cidadão asiático, provavelmente chinês, que após uma medição de temperatura, se vira compelido, com alguma agressividade, a entrar no carro da autoridade policial. Incrédulos, questionámos a atitude desta autoridade e individualmente, em silêncio, agradecíamos por vivermos num país de brandos costumes.

Lopes Morgado (1938-2024): o frade apaixonado pela Bíblia, os presépios e a comunicação

Capuchinho morreu no Porto aos 85 anos

Lopes Morgado (1938-2024): o frade apaixonado pela Bíblia, os presépios e a comunicação

O frade capuchinho José Joaquim Lopes Morgado morreu nesta sexta-feira, 1 de Março, ao meio-dia, a poucas semanas de completar 86 anos, na casa dos Capuchinhos no Amial (Porto), onde estava depois de hospitalizações sucessivas nos últimos meses para tratamentos médicos.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Crónica

Dia Mundial da Justiça Social

[Efemérides]

Dia Mundial da Justiça Social

O Dia Mundial da Justiça Social assinala-se, anualmente, a 20 de fevereiro. Este dia foi implementado através da Resolução 62/10 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a 26 de novembro de 2007. O termo Justiça Social terá aparecido pela primeira vez pela mão do jesuíta Louis Taparelli d’Azeglio com o objetivo de contrapor ao liberalismo e ao capitalismo da era da Revolução industrial uma teologia que fosse o suporte de uma doutrina moral da Igreja.

Breves

Iniciativa ecuménica

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) lançou oficialmente esta semana a Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo, anunciou o Vatican News. Um dos principais responsáveis pela iniciativa é o cardeal Luís José Rueda Aparício, arcebispo de Bogotá e presidente da conferência episcopal da Colômbia, que pretende que a nova “pastoral de rua” leve a Igreja Católica a coordenar-se com outras religiões e instituições já envolvidas neste trabalho.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo

Iniciativa ecuménica

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) lançou oficialmente esta semana a Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo, anunciou o Vatican News. Um dos principais responsáveis pela iniciativa é o cardeal Luís José Rueda Aparício, arcebispo de Bogotá e presidente da conferência episcopal da Colômbia, que pretende que a nova “pastoral de rua” leve a Igreja Católica a coordenar-se com outras religiões e instituições já envolvidas neste trabalho.

É notícia

Dia dos Mártires

Igreja na Índia recorda massacre de 2008

Treze anos depois da onda de violência que varreu o Estado de Orissa, na Índia, provocando mais de 100 mortos, a justiça é ainda uma miragem, denuncia a Fundação AIS. Desde 2016 que é celebrado pela Igreja em Orissa o dia dos Mártires. 

Fundação AIS

Padre haitiano morto a tiro

Um padre que dirigia um orfanato no Haiti foi morto a tiro, Andrè Sylvestre, de 70 anos de idade, foi assassinado na tarde de segunda-feira, 6 de setembro, durante uma tentativa de assalto, revelou a Fundação AIS. 

IndieLisboa

Cinema: prémio Árvore da Vida atribuído a “Sopro”

O filme “Sopro”, realizado por Pocas Pascoal, uma cineasta angolana de 58 anos, foi distinguido na segunda-feira com o prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), no final da 18.ª edição do festival de cinema independente IndieLisboa. 

Entre margens

Mata-me, mãe

Mata-me, mãe novidade

Tiago adorava a adrenalina de ser atropelado pelas ondas espumosas dos mares de bandeira vermelha. Poucos entenderão isto, à excepção dos surfistas. Como explicar a alguém a sensação de ser totalmente abalroado para um lugar centrífugo e sem ar, no qual os segundos parecem anos onde os pontos cardeais se invalidam? Como explicar a alguém que o limiar da morte é o lugar mais vital dos amantes de adrenalina, essa droga que brota das entranhas? É ao espreitar a morte que se descobre a vida.

E o Seminário, terá responsabilidade?

E o Seminário, terá responsabilidade?

Atravessei a década de 80 entre os muros de seminários. Três, ao todo. Dar-me-á esta circunstância a legitimidade para falar abertamente do meu susto? O meu susto é este: conheço pelo menos dois políticos portugueses (que os leitores facilmente identificarão) formados em seminários, cuja opção política está do lado daqueles que, na História, pensaram o povo como um rebanho de gente acéfala e incapaz. [Texto de Paulo Pereira de Carvalho]

Sínodo é representativo ou participativo?

Sínodo é representativo ou participativo?

Quando Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, clamou “Todos, Todos, Todos” – e certamente também queria dizer “Tudo, Tudo, Tudo”–, não estava a confinar o chamado “Sínodo dos Bispos” a uma “representatividade saloia” baseada nas estruturas – algumas não existem! – da Igreja Católica Romana. Se assim fosse não seria necessário a inauguração de um novo enriquecimento da Igreja com a consigna “Todos, Todos, Todos”, mas tinha-se apoiado nas estruturas existentes. [Texto de Joaquim Armindo]

Cultura e artes

As Fotografias de Maria Lamas na Fundação Gulbenkian

Exposição nos 50 anos do 25 de Abril

As Fotografias de Maria Lamas na Fundação Gulbenkian

Mais uma exposição comemorando os 50 anos do 25 de Abril: na Fundação Gulbenkian As Mulheres de Maria Lamas mostra Maria Lamas (1893-1983) no seu esplendor: como fotógrafa-antropóloga, como tradutora, jornalista e articulista, investigadora, bem como outras dimensões do trabalho e ação desta mulher exemplar. Poderá ver a exposição até 28 maio 2024, diariamente das 10:00 às 18:00. [Texto de Teresa Vasconcelos]

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra

Atividades abertas a todos

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra

Empenhado em ser “um lugar onde a Cultura e a Espiritualidade dialogam com a cidade”, o Seminário de Coimbra acolhe, na próxima segunda-feira, 26, a atividade “Humanizar através do teatro – A Importância da Compaixão” (que inclui a representação de uma peça, mas vai muito além disso). Na terça-feira, dia 27, as portas do Seminário voltam a abrir-se para receber o biólogo e premiado fotógrafo de natureza Manuel Malva, que dará uma palestra sobre “Salvar a natureza”. 

Sete Partidas

Era uma vez na Alemanha

Era uma vez na Alemanha

No sábado 3 de fevereiro, no centro de Berlim, um estudante judeu foi atacado por outro estudante da sua universidade, que o reconheceu num bar, o seguiu na rua, e o agrediu violentamente – mesmo quando já estava caído no chão. A vítima teve de ser operada para evitar uma hemorragia cerebral, e está no hospital com fracturas em vários ossos do rosto. Chama-se Lahav Shapira. [Texto de Helena Araújo]

Aquele que habita os céus sorri

Parceiros

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This