O cardeal português José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação (DCE) é o vencedor da 21.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, numa decisão que o júri tomou “por unanimidade” durante a reunião realizada na sexta-feira, 11 de Abril, na sede do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), na Guarda.
“Devo dizer que pessoalmente me comove esta distinção por trazer associado o nome de uma figura de quem fui amigo e da qual recebi tanto; estou muito grato”, disse o cardeal português, ao Jornal diocesano A Guarda, citado pela Agência Ecclesia.
O cardeal Tolentino salientou que o ensaísta e escritor português Eduardo Lourenço ajudou “a pensar e a viver a Europa enquanto projecto cultural”, realçando que “nesse sentido, procurou escutar a morfologia da sua alma”.
“Que o tenha feito reflectindo em particular o contributo da Península Ibérica, que ele dizia ser ‘uma espécie de Europa antes da própria Europa’, constitui para nós um extraordinário legado e um desafio cheio de actualidade. Para a minha geração – e, estou certo, para outras que se seguirão –, Lourenço é um mestre que nos ensina o idioma espiritual das duas nações ibéricas, revelando o mapa interior que as avizinha”, acrescentou, de acordo com A Guarda.
Na sua decisão, o Centro de Estudos Ibéricos, com 25 anos, distingue, na personalidade de José Tolentino Mendonça, “o valor da Educação e da Palavra”, como “fontes de inspiração para fortalecer laços que cruzam todas as fronteiras e dos quais o diálogo ibérico tem sido exemplo”.
“O Júri reconheceu o perfil do intelectual, do humanista e do poeta que marca inequivocamente a cultura portuguesa contemporânea. Igualmente reconheceu o pensador ecuménico e do diálogo que, com a sua obra, nos ensina que a fronteira é um mistério de encontro”, diz ainda o comunicado de sexta-feira do Centro de Estudos Ibéricos.
O Prémio Eduardo Lourenço, instituído em 2004 em homenagem ao seu mentor e patrono, tem como objetivo galardoar personalidades ou instituições “com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas”, no montante de sete mil e quinhentos euros.
A editora Quetzal, que publica os livros de Tolentino Mendonça, manifestou a sua “enorme alegria”, pela distinção atribuída ao seu autor. Numa nota enviada ao 7MARGENS, recorda que a sua obra mais recente, A Vida em Nós, foi publicada em Novembro de 2024.
De um retiro ao Papa a cardeal

Capa do último livro de Tolentino Mendonça.
O Prémio Eduardo Lourenço foi já atribuído, em edições anteriores, a personalidades como a investigadora e ensaísta Isabel Soler, a escritora Lídia Jorge, a professora de Cultura Greco-Latina Maria Helena da Rocha Pereira, a pianista Maria João Pires, os escritores César António Molina, Mia Couto e Agustina Bessa-Luís e Luis Sepúlveda e o teólogo José María Martín Patino.
O cardeal José Tolentino Mendonça é prefeito do DCE desde 26 de Setembro de 2022. Antes, tinha sido desde 26 de Junho de 2018 arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica. O então vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa orientara nesse ano o retiro de Quaresma do Papa Francisco e dos responsáveis da Cúria Romana.
José Tolentino Mendonça nasceu em Machico (Diocese do Funchal) em 1965 e foi ordenado padre em 1990 e bispo em 2018. Doutorado em Teologia Bíblica, desempenhou, entre outras funções, os cargos de reitor do Colégio Pontifício Português, em Roma, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. É cardeal, nomeado pelo Papa, desde 5 de Outubro de 2019.
Biblista, investigador, poeta e ensaísta, Tolentino Mendonça foi já condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’lago da Espada pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva (2015) e a medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira (2019). Escolhido pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, foi o responsável da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em 2020. Em 2022, Foi também vencedor da primeira edição do Prémio atribuído pela Fundação Ilídio Pinho.










