Prémio para a mãe de uma vítima de terrorismo e Guterres, que se juntam ao Papa e Al-Tayyeb no primeiro Dia da Fraternidade Humana

| 4 Fev 21

António Guterres, Latifah ibn Ziaten, Associação Imad para a Juventude e a Paz, Prémio Zayed 2021 para a Fraternidade Humana.

Latifah ibn Ziaten, fundadora da Associação Imad para a Juventude e a Paz, e António Guterres, distinguidos com o Prémio Zayed 2021 para a Fraternidade Humana. Foto: Direitos reservados.

 

O Papa Francisco referiu o seu contentamento por “ver as nações do mundo inteiro unidas” na celebração do primeiro Dia Internacional da Fraternidade Humana, “que visa promover o diálogo inter-religioso e intercultural”. A data será assinalada ao início da tarde desta quinta-feira, 4 de Fevereiro, com um encontro virtual que juntará o Papa, António Guterres, o xeque Ahmad Al-Tayyeb, e outras personalidades, e que pode ser acompanhado pelos canais Vatican News e Vatican Media (13h30, hora de Lisboa).

Na audiência-geral de quarta-feira, 3, o Papa recordou que a nova celebração foi instituída por uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 21 de Dezembro, que reconheceu “a contribuição que o diálogo entre todos os grupos religiosos pode prestar para melhorar a consciência e a compreensão dos valores comuns partilhados por toda a humanidade”, conforme o documento aprovado.

“Esta iniciativa teve também em conta o encontro de 4 de Fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, quando eu e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinámos o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, acrescentou o Papa.

Durante o encontro, Guterres e Latifah ibn Ziaten, fundadora da Associação Imad para a Juventude e a Paz, receberão o Prémio Zayed 2021 para a Fraternidade Humana, o que motivou os “parabéns” do Papa amabos, na sua conta oficial na rede Twitter. “Agradeço ambos pelo seu testemunho”, escreveu Francisco.

A franco-marroquina Latifah ibn Ziaten é mãe de cinco filhos, mas perdeu um outro, Imad, num acto de terrorismo em Toulouse (França), em 2012. Imigrante em França desde 1977, quando tinha 17 anos de idade, Latifah goi à procura do assassino do seu filho, Mohammed Merah, procurando entender o que o levara a cometer o assassinato.

“Esse encontro permitiu que ela entrasse no mundo de um jovem que se sentia abandonado e que nunca havia conseguido integrar-se na sociedade”, conta o Vatican News, num texto de apresentação da laureada. Decidiu-se então a criar a associação e, desde então, tem percorrido muitas zonas de França a contar a história, sobretudo em encontros com jovens. Pretende ajudar a construir a “harmonia social” entre gerações e entre franceses e migrantes.

António Guterres, o nono secretário-geral das Nações Unidas, desde 2017, tem levantado a sua voz em várias ocasiões apelando para um “cessar-fogo global em todos os cantos do mundo para nos concentrarmos, todos juntos, na verdadeira batalha: derrotar a covid-19”, destaca o portal de notícias Vatican News.

 

Dinheiro do prémio para os rohingya

O Prémio Zayed distingue pessoas comprometidas com a promoção da ideia e da prática da fraternidade humana, e inspira-se no documento assinado há dois anos em Abu Dhabi. Pontes para ligar povos divididos, fortalecimento das relações humanas tornando possível o trabalho, a liberdade e a segurança para todos são aspectos concretos assinalados pelo prémio, que no seu nome homenageia o fundador dos Emirados Árabes Unidos, xeque Zayed, apontado como alguém que promovia a convivência pacífica.

Os nomes dos dois vencedores de 2021 foram escolhidos por um júri independente que engloba pessoas de 30 países, das áreas de governo, cultura e religião.

Em 2019, o Papa e Ahmad Al-Tayyeb foram os primeiros a receber o prémio, cujo valor Francisco entregou para apoio aos refugiados rohingya, minoria muçulmana de Myanmar que tem sido perseguida e discriminada no seu próprio país. No ano passado, o xeque Abdullah bin Zayed Al Nahyan, de Abu Dhabi, anunciou que o galardão passaria a ser concedido anualmente.

O Comité Supremo para a Fraternidade Humana, criado na sequência do encontro de há dois anos e que reúne responsáveis católicos e muçulmanos – e que propôs a instituição do Dia Internacional à ONU, com o apoio do Papa e de Ahmad Al-Tayyeb – está entretanto a ponderar construir uma “Casa da Família Abraâmica”, que incluirá uma sinagoga, uma igreja e uma mesquita na ilha Saadiyat, em Abu Dhabi.

Umpasso importante neste caminho foi também a publicação, em Outubro passado, da encíclica Fratelli Tutti, que o Papa liga ao seu encontro em Abu Dhabi.

“Nesta fase decisiva da história humana, estamos numa encruzilhada: por um lado, a fraternidade universal na qual a humanidade se regozija, por outro, uma miséria aguda que incrementará o sofrimento e a privação das pessoas”, afrmou o juiz Mohamed Mahmoud Abdel Salam, secretário-geral do Comité Supremo para Fraternidade Humana, durante a apresentação da encíclica, dia 4 de Outubro, em Roma.

Em Portugal, o Centro de Reflexão Cristã (CRC), de Lisboa, associou-se a esta celebração. Num comunicado, aquela organização diz que “tomou a peito o apelo de Abu Dhabi e o desafio da encíclica” Fratelli Tutti que, desde Novembro, é objecto de um seminário coordenado pelo padre Peter Stilwell. O resultado multidisciplinar deste seminário, “com pistas de investigação futura”, seré divulgado em breve, promete o CRC.

 

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