Prémio Vilalva da Gulbenkian para o restauro e o céu da igreja de Santa Isabel

| 23 Set 20

O céu de Santa Isabel “abre” para o exterior. Foto © Paróquia de Santa Isabel.

 

O Prémio Vilalva, da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), foi atribuído na sua edição deste ano à Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, pela “excelência do trabalho de conservação, restauro e enriquecimento” da mesma, anunciou a FCG.

Para o júri do prémio, contribuiu decisivamente a “espectacularidade e requinte estético do projeto de pintura de Michael Biberstein, que cobre a totalidade da abóbada”. O projecto passou por criar uma espécie de céu que, além de dar mais luz à nave da igreja, remete para a ideia de continuidade entre o espaço interior da igreja e o céu exterior.

Vista da igreja de Santa Isabel, com a abóbada. © Paróquia de Santa Isabel

 

“Trata-se de uma das mais notáveis intervenções da arte contemporânea numa arquitectura clássica, concretizada depois da morte do pintor com o acompanhamento do artista Julião Sarmento e do curador Delfim Sardo”, notou o júri, composto por António Lamas (presidente), os historiadores Raquel Henriques da Silva e Santiago Macias, o arquitecto Gonçalo Byrne, e os investigadores Luís Paulo Ribeiro e Rui Vieira Nery, este último director do Serviço de Cultura da FCG.

O júri destacou também a “pluridisciplinaridade e elevadíssimo nível de qualificação da equipa (coordenada pelo padre J.M. Pereira de Almeida e pelo arq. João Appleton) que tem procedido aos trabalhos, potenciando saberes da engenharia, da conservação e restauro, da história da arte, do design de equipamentos e da arte contemporânea”. E ainda a “metodologia de intervenção em faseamentos sucessivos que, em 2020, se concentram na valorização do altar inicial da Igreja e na criação de novo mobiliário litúrgico”.

A obra idealizada por Biberstein (que não chegou a ver a obra acabada, tendo morrido em 2013 pouco antes da sua inauguração, em 2016) traduz um “diálogo de espiritualidades”, diz o pároco, que pode trazer “uma maior humanidade à nossa condição” e experiência humana:

 

O prémio, em 12.ª edição e no valor de 50 mil euros, pretende distinguir os melhores projectos de recuperação do património cultural propriedade ou na posse de privados, em território nacional. Este ano, foram recebidas 26 candidaturas concorrentes a esta que é a mais importante distinção portuguesa na área.

Além desta igreja, fundada em 1742, por iniciativa do então patriarca D. Tomás de Almeida, o Prémio Vilalva já distinguiu, entre outros, a recuperação dos jardins históricos do Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Vale de Macieira (afectados pelo incêndio de Outubro de 2017), o restauro da Torre dos Clérigos, no Porto e o Museu Diocesano de Santarém, entre outros.

 

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“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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