Presidente da CEP admite debate sobre celibato obrigatório e ordenação de mulheres

| 21 Jun 20

José Ornelas, bispo de Setúbal. Presidente da CEP eleito 16 Junho 2020

José Ornelas, presidente da CEP, sobre a ordenação de mulheres: “Não se pode pretender que o problema não existe.” Foto © Paulo Rocha/Agência Ecclesia

 

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa diz que “não veria mal” a possibilidade de haver padres casados na Igreja Católica de rito latino – já que eles existem no rito oriental. Em entrevista ao Público, neste domingo, 21 de Junho, o também bispo de Setúbal, D. José Ornelas, afirma: “Não vejo mal nisso. Agora a discussão não se deve colocar porque temos pouco padres; deve incidir naquilo que é o sacerdócio e no que ele significa para a Igreja como um dos ministérios fundamentais.”

Já quanto à ordenação de mulheres, admite que o tema é “mais complicado, mesmo na tradição da Igreja”, mas acha que “a Igreja tem de discernir e de ver: “O que não se pode é pretender que o problema não existe. Há que confrontá-lo com a reflexão da própria Igreja e com a sua experiência para ir encontrando caminhos.”

Sobre as comissões que vão averiguar eventuais queixas de abusos sexuais, o bispo Ornelas admite que, com a sua criação, “possam surgir mais” casos, mas que a Igreja deve enfrentar o que aparecer. Numa outra entrevista, desta vez à agência Lusa, o presidente da CEP acrescenta, sobre os abusos: “A nossa posição de princípio é bem clara. É uma situação que com a qual não há possibilidade de pactuar.

Na entrevista ao Público (disponível em linha apenas para assinantes), o novo presidente da CEP, eleito terça-feira, em Fátima, alerta ainda para o perigo da deriva totalitarista neste tempo de reacção à pandemia e avisa que as bolsas de pobreza poderão sair caras ao país e que já há instituições de solidariedade “à beira do colapso”.

José Ornelas admite ainda que os bispos da CEP têm de aprender a colaborar mais entre si e que a Igreja deve “encontrar caminhos e linguagens novas” para passar a sua mensagem. “Hoje, temos de ser uma Igreja que vai ao encontro das pessoas (…) significa ir realmente à procura das pessoas, nas suas aspirações e nos seus sonhos”.

Na entrevista à Lusa, ainda sobre o papel da Igreja no mundo actual, o bispo de Setúbal afirma: “As tentativas de querer voltar para trás são precisamente a negação da fidelidade que se quer aos princípios que se tem.”

 

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