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José Ornelas, Natal

CNJP reforça reflexão do Papa sobre IA

Presidente da CEP pede “solidariedade nacional” no novo ano

| 01/01/2024

José Ornelas, Natal

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas, na mensagem de Natal 2022. Foto captada da gravação vídeo

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apelou, na sua mensagem de Ano Novo, à responsabilidade política e à participação dos cidadãos nas legislativas de 2024, para promover uma “solidariedade nacional” em resposta à crise. “Os indicadores são especialmente preocupantes nos setores da saúde, da educação, da habitação e do custo de vida, com subidas muito significativas que vão agravar a situação de uma grande percentagem de famílias, já fragilizadas pelas crises que se vão acumulando”, refere D. José Ornelas, na sua mensagem de Ano Novo, divulgada online.

O bispo de Leiria-Fátima pede a participação dos cidadãos no ato eleitoral, tendo como critério o “bem comum”, antes de referir os perigos provocados pelo “agravamento das condições de vida das famílias e a dificuldade de acesso a bens essenciais”.

O presidente da CEP recorda que 2024 é o ano em que se comemora o 50.º aniversário do 25 de Abril, prestando homenagem aos que estiveram na “primeira linha do combate pela democracia, grande parte deles motivados pela sua fé e pelo desejo de colaborar num mundo melhor”.

A mensagem reflete sobre a vida da Igreja católica em Portugal, marcada pela “realidade dos abusos de menores”, na sequência do trabalho desenvolvido pelas Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e sua equipa de coordenação nacional, pela Comissão Independente e o Grupo VITA.

O responsável fala num compromisso de “acolher as vítimas e contribuir para a reparação das suas vidas”, com aposta na área da prevenção e formação, para promover ambientes seguros.

D. José Ornelas recorda as “sementes de esperança” deixadas pela realização da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, destacando que os jovens “querem ser ouvidos e ter lugar na Igreja”. “Neste período pós-JMJ é preciso continuar a escutá-los e, numa perspetiva sinodal, dar-lhes protagonismo para que sejam agentes da renovação eclesial no seio das suas comunidades”, sustenta.

A mensagem alude ainda às guerras na Ucrânia e na Terra Santa, alertando para a “situação dramática, pungente e dolorosa” em que vivem milhares de pessoas.

 

CNJP alerta para os riscos dos sistemas de inteligência artificial

Também a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) emitiu a sua tradicional mensagem do Dia Mundial da Paz, reforçando a mensagem que o Papa Francisco já havia deixado sobre a inteligência artificial.

A CNPJ alertou para os riscos associados à utilização dos sistemas de inteligência artificial, cujo propósito pode ser o “mal”, e sublinhou os perigos que acarretam. “Como qualquer instrumento, os sistemas de inteligência artificial podem ser utilizados para o bem e para o mal. Tudo depende da finalidade que lhes é atribuída e dos meios que se aceita possam ser utilizados para alcançar tal finalidade. Quem define essas finalidades e esses meios são as pessoas e as comunidades humanas”, pode ler-se no texto enviado ao 7MARGENS e sintetizado pela agência Ecclesia.

Para a CNPJ, a inovação dos sistemas de inteligência artificial vai provocar “profundas transformações na organização” das sociedades. “Tal como no passado outras inovações tecnológicas permitiram que homens e mulheres se libertassem de penosos esforços físicos que puderam ser substituídos por máquinas, assim poderá suceder agora com atividades de âmbito intelectual, com maximização da sua eficiência. Mas, por muito aperfeiçoados que sejam os sistemas de inteligência artificial, haverá sempre uma especificidade humana que nenhuma máquina poderá substituir”, refere a nota.

Esta estrutura laical da Igreja Católica destaca também “o desafio que representa a educação para o uso de formas de inteligência artificial, educação que deve visar sobretudo a promoção do pensamento crítico em relação aos dados que elas possam proporcionar”, salientado pelo Papa.

Para a Comissão Nacional Justiça e Paz, “não pode ser ignorada a grande desigualdade gerada pelas diferenças de acesso a estes sistemas, tal como a probabilidade de desemprego massivo de profissionais qualificados”.

No final da nota, a CNPJ junta-se ao apelo do Papa Francisco para que a reflexão que deixou para o Dia Mundial da Paz “encoraje a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, em última análise, a causa da fraternidade e da paz” e resgata os perigos da utilização da inteligência artificial em contexto militar. “No que às questões da guerra e da paz mais diretamente diz respeito”, a mensagem alerta para o perigo, que já se nota, de a utilização de “armas letais autónomas” conduzir a uma perceção menor e mais fria da tragédia da guerra, assim como das responsabilidades morais que envolve, as quais nunca recaem sobre máquinas, mas sempre sobre pessoas”, escreveu a CNPJ.

 

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