Telefonema pela paz

Presidente iraniano falou com o Papa e ambos concordam: cessar-fogo é urgente

| 6 Nov 2023

O Papa Francisco falou ao telefone com o presidente iraniano Ebrahim Raisi, 05.11.2023. Foto Presidência do Irão

Esta foi a mais recente de uma série de conversas telefónicas de Francisco com líderes internacionais, numa tentativa de mediar a situação em Gaza e pressionar um cessar-fogo. Foto © Presidência do Irão.

 

O Papa conversou este domingo, 5 de novembro, com o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, depois de este último ter manifestado interesse em que dialogassem sobre o o conflito Israel-Palestina. O telefonema reforçou o sentimento mútuo de que é urgente o cessar-fogo no Médio Oriente, assim como o compromisso da parte de ambos de que farão tudo aquilo que estiver ao seu alcance para conseguir que este se torne realidade.

A conversa, que decorreu durante a tarde, foi confirmada esta segunda-feira pelo diretor da Sala de Imprensa Vaticana, Matteo Bruni, que não revelou detalhes sobre a mesma. O site da presidência iraniana informou, por seu lado, que Raisi aprecia os apelos do Papa a um cessar-fogo em Gaza. Referindo-se aos ataques israelitas como “crimes terríveis e sem precedentes do regime usurpador sionista” que equivalem ao “maior genocídio do século”, o chefe de Estado do Irão pediu a condenação dos mesmos.

Raisi recordou vários ataques contra alvos civis, como o Hospital al-Aqsa em Deir el-Balah, a Igreja Ortodoxa Grega de Santo Porfírio, e o campo de refugiados de Jabalia, dizendo que estes equivalem a “crimes contra a humanidade” e são “exemplos de práticas de apartheid não apenas contra os muçulmanos palestinianos, mas também contra outras religiões divinas, o que é realizado com o apoio dos Estados Unidos e de vários países europeus”, assinalou.

O líder iraniano terá também dito ao Papa que é dever das religiões abraâmicas, incluindo a cristã, apoiar “o povo oprimido da Palestina” e pedido que este avaliasse a posição dos países ocidentais que apoiam as atividades militares de Israel e que “desempenhasse um papel na explicação da posição do opressor e dos oprimidos nesta história”.

Raisi fez ainda questão de afirmar que os cristãos gozam de liberdade religiosa no Irão e são tratados como cidadãos plenos, refere o comunicado, salientando que os cristãos dos países vizinhos também veem o Irão como um refúgio, que defende “não só os direitos das nações muçulmanas, mas também os direitos dos cristãos”.

De acordo com a declaração publicada no site da presidência iraniana, o Papa, por sua vez, expressou apreço pelo apoio de Raisi aos que sofrem em Gaza e enfatizou a necessidade de um cessar-fogo, deixando a promessa: “Como líder dos católicos do mundo, farei tudo o que estiver ao meu alcance para impedir estes ataques. e evitar que mais mulheres e crianças se tornem vítimas em Gaza.”

Esta foi a mais recente de uma série de conversas telefónicas de Francisco com líderes internacionais, numa tentativa de mediar a situação em Gaza e pressionar um cessar-fogo. No passado dia 22 de outubro, falou com o presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden; quatro dias depois com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan; e na passada quinta-feira, 2 de novembro, com o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas.

No dia 30 de outubro, o secretário do Vaticano para Relações com os Estados, o arcebispo britânico Paul Gallagher, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Irão, Hossein Amir-Abdollahian, também a pedido daquele país.

 

A importância do diálogo com os judeus

Papa recebe Conferência Europeia de Rabinos, 6 de novembro de 2023. Foto Vatican Media.

Francisco recebeu esta segunda-feira em audiência a delegação da Conferência dos Rabinos Europeus. Foto © Vatican Media.

 

Já na manhã desta segunda-feira, e apesar de ter reconhecido não se encontrar muito “bem de saúde”, o Papa recebeu em audiência a delegação da Conferência dos Rabinos Europeus, a quem falou também da situação na Terra Santa.

No discurso que optou por não proferir, mas que entregou para que cada um pudesse lê-lo, Francisco afirma que o seu primeiro pensamento e oração “são, acima de tudo, sobre o que aconteceu nas últimas semanas (…) na Terra que, abençoada pelo Altíssimo, parece estar a ser continuamente contrariada pela baixeza do ódio e pelo barulho mortal das armas”, e sublinha: “é preocupante a disseminação de manifestações antissemitas, que eu condeno firmemente”.

Francisco reflete depois sobre a importância do diálogo e defende que “para nos tornarmos construtores da paz, somos chamados a ser construtores do diálogo. Não apenas com as nossas próprias forças e habilidades, mas com a ajuda do Todo-Poderoso”.

Segundo o Papa, o diálogo com o judaísmo é de particular importância para os cristãos, “porque temos raízes judaicas”. E recorda: “Jesus nasceu e viveu como judeu; Ele mesmo é o primeiro garantidor da herança judaica dentro do cristianismo e nós, que somos de Cristo, precisamos de vocês, queridos irmãos, precisamos do judaísmo para nos entendermos melhor”.

E se judeus e cristãos estão ligados uns aos outros diante do único Deus – conclui Francisco – “juntos, somos chamados a dar testemunho, com o nosso diálogo, da sua palavra e, com a nossa conduta, da sua paz”.

 

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