
Com esta nomeação, Raul Domingos tornou-se na primeira figura da oposição a ser apontada para um cargo do género. Foto © Derek Brumby.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, acaba de nomear Raul Domingos, antigo dirigente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), embaixador extraordinário e plenipotenciário na Santa Sé. O representante pessoal do secretário-geral da ONU para o processo de paz em Moçambique, Mirko Manzoni, considerou esta quarta-feira, 20 de julho, a nomeação “histórica“, visto tratar-se da primeira vez que um opositor ocupa um cargo do género.
Para Manzoni, a indicação de Raul Domingos “é mais uma evidência dos avanços que têm sido feitos pelo Governo para construir um Moçambique mais inclusivo e é um exemplo do compromisso contínuo com o processo de paz e reconciliação nacional”.
Domingos foi chefe da equipa da Renamo nas negociações com o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), para o Acordo Geral de Paz, assinado em 1992, em Roma. As negociações contaram com a mediação da Comunidade de Sant´Egídio, entidade ligada à Igreja Católica.
Após sair da Renamo em 1999, fundou o Partido para a Democracia e Desenvolvimento (PDD), uma força política extraparlamentar que nunca conseguiu eleger representantes para órgãos eletivos nacionais.
Com esta nomeação, tornou-se na primeira figura da oposição a ser apontada para um cargo do género, sendo os lugares de topo na hierarquia do Estado moçambicano ocupados quase exclusivamente por militantes da Frelimo.










