
Procuro-Te, Senhor
Vejo-te suspenso de janelas e varandas
Alguns cartazes dizem até que já nasceste
Mas eu procuro-Te, não sei por onde andas,
Mas sei que andas sempre por aí, que já vieste.
Procuro-Te no meio das multidões,
E em tantos vejo o Teu rosto emaciado
Que me sinto presa em múltiplas emoções
E não consigo decidir qual é o Enviado.
Vejo pobres, velhos e meninos,
Trazem consigo solidão e fome.
Oh meu Menino mudas-lhes o destino,
Fá-los ter esperança no Teu nome!
Lembras-Te, quando já Homem multiplicaste
Os pães e os peixes que alimentaram a multidão que te escutava?
Volta a multiplicar, ensina-nos a multiplicar, como ensinaste,
As nossas bolsas, despensas, a abundância que nos trava
A vivência do Amor que com tanto sacrifício nos mostraste.

Sem abrigo Foto © Daniel Zgombic
Enorme, imensa, sem fim é a abundância,
Nas mãos de alguns que te recusam,
Enquanto os pobres, os famintos, sempre em ânsia,
Calam as suas vozes e com os olhos nos acusam.
É pecado sem perdão deixar com fome,
Sem casa, sem esperança, sem abrigo
Qualquer irmão nosso que em teu nome
Espera de nós a partilha fraterna de um Amigo.
Senhor, Senhor, aparece novamente em nossas praças,
Fala-nos em parábolas, para podermos entender,
E nós Te prestaremos preito e graças.
Precisamos de Ti para reaprender a viver.
Maria do Carmo Cruz
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