Proibição das armas nucleares: silêncio português deixa organizações cristãs dividas

| 22 Jan 21

Armas nucleares, guerra, bomba

Banir a bomba, pede o cartaz. As organizações cristãs em Portugal não t~em uma posição única sobre o tema. Foto: Direitos reservados (Pax Christi International)

 

O facto de o Estado Português não ter assinado o Tratado de Proibição das Armas Nucleares que nesta sexta-feira, 22 de janeiro, entrou em vigor divide as organizações cristãs mais relacionadas com os temas da paz contactadas pelo 7MARGENS. Algumas são claramente favoráveis à eliminação total das armas nucleares, outras não assumem tal posicionamento. Mas, mesmo entre as primeiras, nem todas esperam que Portugal ratifique o Tratado.

A Pax Christi, movimento católico pela paz, vai continuar a pressionar para que Portugal assine o Tratado; a Comissão Nacional Justiça e Paz advoga a ratificação do Tratado e a eliminação total das armas nucleares, mas não crê que o Estado Português o venha a assinar; a Aliança Evangélica Portuguesa não se pronuncia, embora reitere a sua defesa da não violência; o Conselho Português de Igrejas Cristãs não tem posição sobre o tema, remetendo para as posições do Conselho Mundial de Igrejas. A Conferência Episcopal Portuguesa não respondeu às perguntas formuladas pelo 7MARGENS.

A Aliança Evangélica Portuguesa defende “a coexistência pacifica de todos os cidadãos e a não violência”, mas entre as igrejas e organizações que a constituem não há consenso – reconhece o seu presidente, o médico António Calaim – quanto “às políticas de segurança interna e externa” que os Estados podem adotar, bem como quanto aos limites da força que podem usar para concretizar tais políticas. “Assim sendo, – conclui – dificilmente poderíamos nos pronunciar” sobre a eliminação de todas as armas nucleares.

 

Campanha pela ratificação do Tratado

No polo oposto, a Pax Christi Portugal tem divulgado e participado nas ações lançadas pela Pax Christi Internacional por todo o mundo em favor da “plena implementação do Tratado”, afirma Margarida Saco, responsável da organização portuguesa, para quem “o tratado é o resultado de anos de luta e ação global e coordenada da sociedade civil.”

“A Pax Christi Portugal vai manter estas iniciativas de modo a continuar a sensibilização das pessoas sobre a importância desta questão, tentando fazer pressão para que o Estado português tome uma atitude” – garante Margarida Saco, que lembra que a sua organização “sempre defendeu a abolição das armas nucleares, convicta de que a existência destas armas constitui uma séria ameaça para toda a humanidade e é contrária a todos os princípios e direitos humanos.”

Nesse sentido, a organização vai lançar durante a próxima semana “uma campanha nas redes sociais de todos os membros e parceiros da Pax Christi para assinalar a entrada em vigor do Tratado.”

Posição semelhante tem a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) que “advoga, na linha da posição da Santa Sé e da assembleia das comissões justiça e paz europeias, a ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares e a eliminação total destas.”

Pedro Vaz Patto, presidente da CNJP, adianta a título pessoal “que não será de esperar que o Governo português assuma uma posição desligada da posição de outros países da NATO que detêm armas nucleares. Não será realista advogar que da parte da NATO se desencadeie uma ação de desarmamento nuclear unilateral.” Uma posição que, aliás, o ministro dos Negócios Estrangeiros confirmou, em entrevista ao 7MARGENS.

Apesar deste ceticismo, Vaz Patto acrescenta: “Mas o que não pode nunca deixar de estar no nosso horizonte é que se caminhe decididamente no sentido de um desarmamento nuclear multilateral, total e controlado. Além do mais, tal permitiria dar resposta aos apelos do Papa Francisco no sentido da canalização das despesas com armamento para o combate à fome e pelo desenvolvimento.”

A CNJP “não desencadeou até agora quaisquer ações junto do Estado português”, mas “as comissões justiça e paz europeias planeiam atuar junto da NATO no sentido da ratificação do Tratado.” Contudo, de acordo com Vaz Patto, “ainda não se concretizou alguma ação.”

 

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