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Cimeira de Glasgow

Prolongamento sem acordo à vista

| 12/11/2021

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Os últimos debates serviram principalmente para sublinhar o que distancia as posições, interesses e exigências dos diferentes grupos de países. Foto © COP26.

 

A Cimeira do Clima de Glasgow seguiu os passos das anteriores e não terminou esta sexta, 12 de novembro, conforme estava inicialmente previsto. Ao fim da tarde. o seu presidente, Alok Sharma, anunciou que uma terceira versão do documento final seria trabalhada durante a noite para ser debatida e finalmente aprovada durante a tarde de sábado.

A segunda versão do acordo divulgada na manhã de dia 12 provocou nos ativistas do clima algum alívio misturado com certo desespero. Alívio por continuaram presentes as referências ao termo do uso do carvão e de alguns subsídios aos combustíveis fósseis e pelo facto de o texto sublinhar de modo mais veemente o objetivo de manter o aumento da temperatura média nos 1,5 graus Celsius acima da temperatura média da era pré-industrial (minimizando o crescimento de 2 graus Celsius que constava como primeiro objetivo no Acordo de Paris de 2015). Desespero pelo contante adiamento do ano em que os países mais pobres podem começar a contar com os prometidos 100 mil milhões de dólares anuais para adaptarem as suas economias à neutralidade carbónica (a promessa vinda de Paris era de que tal verba estaria disponível a partir de 2020 – o que não aconteceu – e é agora prometida para 2025). Uma análise balanceada do que a segunda proposta de acordo veio trazer quando comparada com a primeira pode ser lida no jornal inglês The Guardian.

Os debates de sexta-feira serviram principalmente para sublinhar o que distancia as posições, interesses e exigências dos diferentes grupos de países, não tendo sido conhecida nenhuma assunção de objetivos suficientemente dramática para empurrar as partes a fecharem um acordo ambicioso. No caso de a Cimeira terminar com um acordo global fraco e incapaz de impulsionar ações firmes que credibilizem o objetivo dos 1,5 graus Celsius, o seu mais importante resultado pode vir a ser o facto de apontar para que os negociadores dos 198 países voltem a reunir daqui a um ano para apresentarem o reforço dos seus planos de redução das emissões de gases com efeitos de estufa. É possível que, após o insucesso de Glasgow, a exigência da opinião pública mundial cresça e obrigue as partes a comprometerem-se com planos muito mais ambiciosos.

 

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