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Cerejais, Alfândega da Fé

Quadros vivos na “peregrinação anual” ao Santuário do Imaculado Coração de Maria

| 04/06/2024

O santuário dos Cerejais, a “Fátima do Nordeste”. Foto © Rúben Castanheiro

O santuário dos Cerejais, conhecido como a “Fátima do Nordeste”. Foto © Rúben Castanheiro

A “peregrinação anual”, uma das mais importantes vias-sacras do distrito de Bragança, teve mais uma vez lugar na aldeia de Cerejais, concelho de Alfândega da Fé, no fim de semana de 25 e 26 de maio, e levou milhares de pessoas ao Santuário do Imaculado Coração de Maria para assistirem, entre outros, aos quadros vivos interpretados por figurantes vindos de várias terras da região.

A peregrinação anual ao santuário “começa sábado à noite com a procissão das velas e no domingo há a procissão diurna, com a santa missa e os quadros dos mistérios dolorosos e gozosos”, esclarece Daniela Ochôa, 35 anos, natural dos Cerejais, do gabinete de comunicação e apoio ao peregrino.

Estes quadros são a representação, ao vivo, dos mistérios dolorosos e gozosos do rosário, começando com a anunciação do anjo a Nossa Senhora e terminando com a figuração da Pietá (Jesus morto nos braços de sua mãe). Neles participam perto de 60 voluntários, que se dirigem até aos Cerejais para integrar a procissão. A maioria vive na aldeia, mas há um grupo de voluntários que se destaca porque há mais de três décadas se responsabiliza por realizar o quadro da Pietá.

O quadro do Pietá, um dos mais icónicos desta procissão nos Cerejais. Foto © DR

O quadro do Pietá, um dos mais icónicos desta procissão. Foto: Direitos reservados

“Temos uns figurantes do concelho de Vila Flor que há 34 anos vêm sempre até aos Cerejais para representarem a Pietá. É um orgulho ter peregrinos que todos os anos reservam este dia para vir, com tanta dedicação e fé, compor o quadro”, sublinha Daniela.

O santuário de Cerejais é também conhecido como a “Fátima do Nordeste” por ter nascido sob a inspiração das aparições de Fátima, fomentando a devoção a Nossa Senhora. O seu grande obreiro foi o padre Joaquim Manuel Ochôa que conseguiu, no início dos anos sessenta do século passado, incentivar o povo da localidade a construir um primeiro pequeno santuário, posteriormente aumentado e reformulado, já no final dos anos setenta.

O desenvolvimento do local de culto levou à transformação do centro paroquial na Fundação Cónego Joaquim Manuel Ochôa, uma Instituição Particular de Solidariedade Social que gere, além dos edifícios religiosos, uma residência para pessoas idosas e um centro de dia e presta ainda serviços de apoio domiciliário. “Todos os dias, percorremos mais de 80 km a servir refeições a perto de 40 pessoas da região”, relata Daniela.

No âmbito da comunicação e do apoio ao peregrino, a fundação iniciou há dois anos um processo de digitalização que envolveu a instalação de QR codes em cada um dos edifícios do santuário e de um grande ecrã onde é exibido em permanência um vídeo promocional. A última novidade desta modernização foi a colocação de um aparelho digital para a entrega de donativos, “evitando as ofertas em dinheiro vivo, o que permite reforçar a segurança”, refere Daniela para quem “no mundo digital em que vivemos” a vontade de que “o santuário cresça”, implica “acompanhar os tempos”.

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