Qual o nosso olhar sobre os activistas climáticos?

| 3 Out 2023

manifestacao contra alteracoes climaticas foto direitos reservados

Manifestação contra as alterações climáticas.  Foto Direitos Reservados

 

Lembramos Aristides de Sousa Mendes…Como criminoso? Não, não, como herói. Embora tenha ido contra a lei e ordens superiores do Estado para salvar milhares de Judeus.

Olhamos para Martin Luther King Jr. e os seus companheiros como alguém que, com as suas marchas pela Paz, interrompiam o trânsito de quem queria ir para o trabalho? Não, não, como aqueles que trouxeram a igualdade para negros e brancos. Ainda que irrompessem pelas cidades impedindo a normal rotina diária dos residentes.

Vemos estas e outras personagens da história, que não seguiram leis e tão pouco o que lhes diziam, como exemplos, comos modelos, como heróis. Se assim é, como é o nosso olhar para com os activistas climáticos?

Jovens e velhos, que causam um frenesim, se sentam e colam às estradas, a comboios, a sedes de petrolíferas, aos bancos e empresas que continuam a investir em explorações de petróleo. Não serão heróis? Faltará passar o mesmo tempo, o tempo da indiferença climática para o tempo da consciência deste que é o maior desafio que a humanidade enfrenta? Tal como teve de passar o tempo da ditadura para o reconhecimento de Aristides, ou o tempo da desigualdade racial para Luther King?

Atentemos na mensagem do Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres: “Os ativistas pelo clima são descritos como radicais perigosos mas os radicais verdadeiramente perigosos são os países que estão a aumentar a produção de combustíveis fósseis.”.

Em 2019, António Costa e vários ministros tentaram assinar a expansão do aeroporto de Lisboa, estimulando assim o negócio que mais alimenta o consumo massivo de combustível fóssil (aviação). E, prestes a fazê-lo, sem relatório de impacto ambiental. Resultado? Bem, nada de criminal ou politicamente consequente se passou. Essas consequências foram reservadas para Francisco Colaço Pedro, também colunista do 7Margens, que alertou para o facto tomando o microfone e interrompendo uma intervenção do primeiro-ministro, enquanto outros lhe atiravam aviões de papel e erguiam um cartaz: “Mais aviões? Só a brincar!”. Costa, sem consciência das acções que estava prestes a tomar e que os activistas realçaram, prosseguiu com um processo contra Francisco.

No último mês, em Algés, vinte Activistas bloquearam o acesso ao Conselho de Ministros colando-se aos portões do local da reunião. Porquê esta acção? “A crise climática devia ser o tema central desta reunião. É a maior crise que a humanidade já enfrentou e os governos não estão a lidar com isso dessa forma.”, disseram.

No passado 26 de setembro, um grupo de jovens, chocado com o ministro do ambiente representar o governo em evento da GALP e EDP – que lucram com o comércio da emissão de gases que agudizam a crise climática, atiraram tinta verde ao representante do governo. Segundo eles: “se (o ministro) respeitasse os jovens não tentaria limpar a imagem das empresas que estão a condenar o nosso futuro”.

Vemos tranquilamente como o quão perigoso é a não priorização do maior desafio da humanidade, mas as acções destes activistas são tidas e olhadas como radicais. Os activistas levaram a cabo estas acções sem nada a ganhar, talvez umas horas na polícia, cadastro, e a incompreensão de tantos, mas em verdade são os heróis dos nossos dias ainda que o tempo não lhes atribua este mérito por agora.

Vejamos alguns acontecimentos dos últimos quatro meses:

 

Estas são vidas de grupos culturalmente e religiosamente diversos na linha da frente da catástrofe. Os activistas realizam estas acções com a mesma motivação de Martin Luther King Jr., pela justiça e igualdade racial. Citando a dura verdade, nas palavras do teólogo Robert Beckford: “A inacção Climática é racismo, pois são maioritariamente negros e asiáticos a morrer”.

Por isso, neste Tempo da Criação 2023, prestamos tributo.

No mundo:

 

Em Portugal:

  • À Beatriz Xavier, líder da Greve Estudantil Climática, e aos vinte activistas, na maioria detidos, no bloqueio da Reunião do Conselho de Ministros.
  • À Sofia e ao André Oliveira; Cláudia, Mariana e Martim Agostinho; e à Catarina Mota que interpuseram no tribunal europeu dos direitos do Homem  um processo contra 32 países pelos incêndios em Portugal e ansiedade climática dos jovens.
  • Ao Francisco Pedro julgado por uma acção de protesto climático, depois de absolvido em primeira instância por desobediência civil qualificada foi novamente alvo de intimidação política e judicial.
  • À Matilde Ventura e restantes jovens que salpicaram de verde o Ministro do Ambiente num evento da GALP e EDP.
  • À Aterra, Climáximo e Extinguish Rebellion Portugal.

 

 

Catarina Sá Couto é membro da Comunhão Anglicana em Inglaterra e Portugal

 

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