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Tribos isoladas na Amazônia brasileira, imagem aérea em 2010. © G.Miranda_FUNAI_Survival (1)

Quase 200 mil pedem ação urgente do governo brasileiro para evitar genocídio de indígenas

| 05/05/2020

Quase 200 mil pedem ação urgente do governo brasileiro para evitar genocídio de indígenas

by | 5 Mai 20

Tribos isoladas na Amazônia brasileira, imagem aérea em 2010. © G.Miranda_FUNAI_Survival (1)

Tribos isoladas na Amazônia brasileira, imagem aérea captada em 2010. Foto © G.Miranda/Fundação Nacional do Índio (FUNAI)/Survival

 

Oprah Winfrey, Meryl Streep, Madonna, Naomi Campbell ou Brad Pitt são apenas alguns dos quase 200 mil que já assinaram a petição lançada pelo fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, pedindo ao Governo brasileiro que tome “medidas urgentes para proteger” da pandemia de covid-19 os povos indígenas que vivem na Amazónia. O arcebispo de Manaus, Leonardo Steiner, alerta: “O vírus já atingiu algumas comunidades indígenas” e, descreve, a situação está “fora de controlo”.

Na petição, que é ao mesmo tempo uma carta aberta dirigida ao governo de Jair Bolsonaro, o organizador e mentor da iniciativa, Sebastião Salgado, garante que estamos “à beira de assistir a um genocídio” das populações indígenas. O fotojornalista, que trabalhou ao longo da última década na Amazónia, recorda que “há cinco séculos estes grupos étnicos foram dizimados por doenças levadas pelos colonizadores europeus” e sublinha que “agora, com este novo flagelo a espalhar-se rapidamente pelo Brasil, podem desaparecer completamente porque não têm meios para combater a covid-19”.

“Não há nada que proteja os povos indígenas do risco de genocídio causado por uma infeção introduzida por forasteiros que entram na terra deles ilegalmente”, pode ler-se na carta. Uma das medidas defendidas por Sebastião Salgado é a criação de uma equipa liderada pelas forças militares para impedir a entrada de intrusos em áreas protegidas, nomeadamente garimpeiros e madeireiros, cujas “operações ilícitas” nos territórios indígenas “aceleraram nas últimas semanas” devido à menor fiscalização.

 

“As pessoas estão a morrer em casa”, alerta arcebispo

A região brasileira mais afetada pela pandemia é precisamente a de Manaus, capital do estado do Amazonas, onde há “cerca de 2.000 pessoas a viver nas ruas e cerca de 35.000 grupos de indígenas nos arredores”, alerta o arcebispo da diocese, Leonardo Steiner, citado pelo jornal Religión Digital.

Descrevendo uma situação “fora de controlo”, o bispo garante que “há mais de 140 enterros diários”, porque o serviço de saúde está em colapso: “Os hospitais estão cheios e os cuidados intensivos não têm camas disponíveis”, explica. “A situação é dramática, as pessoas estão a morrer em casa.”

Leonardo Steiner manifestou ainda preocupação com os grupos de “migrantes haitianos e venezuelanos”, que não dispõem de “documentação necessária para poder aceder” aos subsídios disponibilizados pelo Governo.

Perante a tragédia, a Igreja Católica está a fazer tudo o que é possível para ajudar a população, declarou o arcebispo. “Infelizmente, não temos um hospital vinculado à Igreja, mas temo-nos dedicado a ajudar os pobres”, com a distribuição de alimentos aos sem-abrigo, indígenas e migrantes, com a sensibilização para a prevenção do contágio e com o consolo “às famílias que choram a morte dos seus entes queridos”, relata Leonardo Steiner. A chamada que o bispo recebeu há dias do Papa Francisco foi muito importante. “Toda a gente sabe agora que o Papa está connosco e se preocupa com os dramas humanos”, concluiu.

Nesta segunda-feira, 4 de maio, havia já 120 casos confirmados de covid-19 entre indígenas, que provocaram oito mortes, de acordo com dados recolhidos pelo Conselho Indigenista Missionário. O Brasil tinha ultrapassado os 7.000 mortos e 100.000 infetados com o novo coronavírus, sendo já o nono país em número de mortos e o sétimo no total de casos identificados. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de letalidade da doença no país chegou aos 7%. Na passada quinta-feira, 30 de abril, em declarações aos jornalistas, Bolsonaro responsabilizou os governadores dos estados pelo atual estado da pandemia e levantou dúvidas sobre o número de mortes associadas à mesma.

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