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Rohyngia resgatados por guarda costeira do Bangladesh

Quase 400 refugiados rohingya resgatados na costa do Bangladesh, 32 já sem vida

| 16/04/2020

Quase 400 refugiados rohingya resgatados na costa do Bangladesh, 32 já sem vida

by | 16 Abr 20

Rohyngia resgatados por guarda costeira do Bangladesh

Foto da Rohingya Women’s Education Initiative partilhada no Twitter 

 

O objetivo era chegarem à Malásia mas, nas duas vezes que se aproximaram da costa, foi-lhes negada a entrada, alegadamente devido à pandemia de covid-19. Num barco de pesca sobrelotado, um grupo de 382 refugiados rohingya ficou assim à deriva no mar durante 58 dias, tendo sido resgatado na noite desta quarta-feira, 15 de abril, pela guarda-costeira do Bangladesh. Devido à falta de água e comida, 32 deles não sobreviveram à viagem.

“[Os rohingya] explicaram que deixaram o Bangladesh há cerca de dois meses em direção à Malásia e que outros rohingya, da região birmanesa de Rakhine, se juntaram no caminho”, disse o porta-voz da guarda costeira do país, Hamidul Islam, à agência de notícias EFE.

Uma porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Louise Donovan, explicou por seu lado que “estes homens, mulheres e crianças ficaram no mar durante dois meses em condições terríveis e muitos deles estão extremamente desnutridos e desidratados”. O ACNUR assegurou que o grupo era encaminhado para centros de quarentena para que pudesse receber assistência médica.

Algumas fotos tiradas após o desembarque a circular nas redes sociais refletem as privações que o grupo terá passado, mostrando dezenas de figuras esqueléticas e desidratadas, na sua maioria mulheres e crianças.

Episódios como este têm vindo a repetir-se desde 2017, na sequência da onda de perseguição e violência desencadeada pelo exército birmanês contra os rohyngia, classificada pela ONU como “limpeza étnica” e “genocídio”.

Em fevereiro passado, pelo menos 15 rohingya morreram e 69 foram resgatados depois do naufrágio na costa do Bangladesh de um navio que tinha também a Malásia como destino.

Redes de tráfico humano oferecem-se para transportar os refugiados para outros países do sudoeste asiático, através da Baía de Bengala e do Mar de Andamão. A promessa nem sempre é cumprida, e a pandemia de covid-19 veio reforçar a tendência para não aceitar os refugiados que chegam.

 

ONG pressionam Governo português para acolher refugiados

Lavandaria do campo de refugiados de Samos

Meia de criança na lavandaria do campo de refugiados de Samos. Foto © Luísa Lopes dos Santos, cedida pela autora.

 

Cada vez mais preocupadas com as consequências devastadoras que a pandemia de covid-19 poderá ter nos campos de refugiados, em particular na Grécia, diversas organizações não-governamentais (ONG) pediram nesta quarta-feira ao governo português que efetive a intenção de acolher refugiados menores não acompanhados, que se encontrem nesses campos.

“Foi anunciado politicamente que existe a vontade, (…) era importante que os responsáveis do Governo clarificassem não só o número, mas também a forma e o modelo de acolhimento. (…) Como é que irão processar-se as operações, não só ao nível do acolhimento em si, mas também tudo aquilo que tem que ver com o acompanhamento desses menores”, afirmou o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, André Costa Jorge, na audiência requerida pelo Bloco de Esquerda para debater a situação dos migrantes na fronteira greco-turca e nas ilhas gregas, realizada esta quarta-feira, 15.

Na sequência de um pedido do Governo grego aos parceiros europeus para que recebessem 1.600 dos cerca de 5.200 refugiados menores não acompanhados que vivem atualmente naquele país, Portugal foi um dos países que responderam positivamente, no passado dia 8 de março. De acordo com a Comissão Europeia, até ao momento, apenas o Luxemburgo acolheu 12 migrantes menores, e a Alemanha deverá receber 50 nos próximos dias.

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