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Mulher com cartaz contra vários líderes políticos israelitas. Foto DR via JPR

Estudo revela

Quatro em cada cinco judeus britânicos “desaprovam” Netanyahu

| 17/09/2024

Mulher com cartaz contra vários líderes políticos israelitas. Foto DR via JPR 1

Os judeus britânicos manifestaram descontentamento crescente face a vários líderes políticos israelitas, e não apenas Netanyahu. Foto: Direitos reservados, via JPR

Os judeus britânicos revelam “um pessimismo crescente sobre o futuro de Israel” e a esmagadora maioria tem uma opinião desfavorável do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, revela um estudo do Institute for Jewish Policy Research (JPR), cujos primeiros resultados foram divulgados esta terça-feira, 17 de setembro.

O estudo, intitulado “O que os judeus no Reino Unido pensam sobre Israel e os seus líderes, e como isso mudou desde 7 de outubro?”, revela que três quartos (74%) dos judeus naquele país descrevem a situação de Israel como “má” (37%) ou “muito má” (37%), uma percentagem que cresceu significativamente face aos 57% que haviam sido medidos pelo mesmo organismo em abril/maio de 2023. De acordo com o relatório inicial que acaba de ser publicado, “no geral, os judeus no Reino Unido caracterizam o estado atual de Israel de forma mais negativa do que os israelitas”.

Tendo por base as respostas de mais de 4.500 judeus britânicos adultos a um inquérito realizado em junho-julho de 2024, o estudo conclui que 95% dos judeus no Reino Unido têm uma opinião sobre Benjamin Netanyahu, o líder mais conhecido entre os examinados, sendo que “quatro em cada cinco judeus têm uma opinião desfavorável sobre ele, com 65% a dizer que ‘desaprovam fortemente’ e 15% a dizer que o desaprovam ‘um pouco'”, pode ler-se no relatório.

A maioria dos entrevistados manifestou também descontentamento em relação ao ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e ao ministro da Segurança, Itamar Ben-Gvir. Estes, juntamente com Netanyahu, “são os líderes israelitas que os judeus britânicos menos aprovam”. Já o ex-primeiro-ministro Yair Lapid e o ex-ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro Benny Gantz “são os únicos dois líderes que mostram classificações líquidas positivas entre os examinados”, e Lapid é o único líder examinado que mostra um aumento na taxa de aprovação líquida em comparação com dados anteriores a 7 de outubro do ano passado.

Não é de surpreender que os judeus politicamente de direita tenham muito mais probabilidade de aprovar Netanyahu do que aqueles de esquerda. De acordo com o relatório, “os judeus que se inclinam para a direita política (com base nas intenções de voto e na votação na recente eleição do Reino Unido) têm mais de seis vezes maior probabilidade do que aqueles que se inclinam para a esquerda política de ter uma visão favorável da situação em Israel, e os homens têm três vezes mais probabilidade do que as mulheres de ter uma visão positiva”.

O relatório destaca ainda que as “pessoas que se identificam como sionistas e pessoas estritamente ortodoxas também são mais propensas do que outros grupos a fazer isso. Por outro lado, certos grupos são mais propensos a identificar a situação de Israel como má do que outros, incluindo aqueles que têm uma inclinação política para a esquerda, mulheres, aqueles que pertencem a sinagogas progressistas e pessoas mais velhas”.

Para o diretor-executivo da JPR, Jonathan Boyd, não restam dúvidas: “Os eventos do ano passado afetaram os judeus britânicos muito profundamente. Em muitos aspectos, podemos ver que eles se sentem mais próximos de Israel agora do que antes de 7 de outubro”. Mas “por mais que Israel importe para os judeus britânicos, muitos estão a expressar clara preocupação sobre sua atual liderança política”, assinalou, citado pelo jornal Jewish News.  “Essa dissonância é fundamental para entender de uma perspectiva política – ela sugere a natureza evolutiva do relacionamento dos judeus britânicos com Israel, sobre o qual iremos relatar e discutir com muito mais detalhes nas próximas semanas”, anunciou.

Um relatório mais desenvolvido do estudo será publicado no início de outubro, analisando não só “a natureza mutável das visões políticas dos judeus britânicos sobre Israel”, mas também “o quão seguros os judeus britânicos se sentem a viver na Grã-Bretanha pós-7 de outubro” e “como a guerra atual está a afetar os sentimentos de apego dos judeus britânicos a Israel e à vida judaica no Reino Unido”.

 

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