Teatro São Luiz até 29 outubro

Que “Europa”?

| 21 Out 2023

Imagem da folha de sala

 

Os Artistas Unidos trazem à cena, no Teatro São Luiz, em Lisboa, a peça Europa, de David Greig (até 29 out.). Uma encenação poderosa, de Pedro Carraca, para uma peça também poderosa.

O título diz logo ao que vimos. Estamos numa velha estação desactivada, numa qualquer pequena cidade europeia que também já perdeu a fábrica que lhe dava vida. O resto é fácil de imaginar: cicatrizes. À falta de perspetivas locais acumula-se a presença de dois migrantes na estação. Não incomodam ninguém, porque “Não há comboios”, mas incomodam os que já se encontram feridos pela desolação social. Daí vem o que sempre resulta em circunstâncias destas: impotência e luta, violência e fuga, conflito e ausência saídas. A cobra devora-se a si mesma.

Ninguém sabe o que fazer. Sair não resolve o problema, talvez nem o dos que saem, ficar tem sem perspectivas é a morte lenta, o vodka não leva a lugar algum, nem com o outro no mesmo barco se pode contar. Não há futuro?

É um trabalho de denúncia e profecia, diz como vivemos e anuncia para onde estamos a ir. Mostra o rio subterrâneo sobre o qual dormimos: a desindustrialização, a perda de vitalidade económica, a fuga para os grandes centos e a desertificação de grandes espaços do “interior”, o álcool e o sexo como respostas clássicas, a violência de grupo… Os comboios não param, mas continuam a passar, sinal evidente de que a vida continua… mas lá longe, não aqui.

Esta Europa, estreada em 1994, numa Europa então em ebulição promissora (o derrube do Muro fora em 89), foi um aviso profético. Hoje, em 2023, é de uma grande oportunidade: põe a nu muito do que está em jogo numa certa gritaria em que todos falam e parece que ninguém se entende. Daí a relevância de trazer este trabalho à cena. A Arte tem esta função, entre outras.

Mas há um outro aspecto importante. Neste beco sem saída, só há uma saída, passe a contradição: sair, fugir, ir para longe. Ali não há nada a fazer. Não há solução. Nem sequer alguém a tentar. No fundo, esta obra de arte mostra-nos o mundo que não queremos, mas não parece fazer a mínima ideia, a não ser por oposição, do mundo que queremos, muito menos do que fazer para lá chegar. Esta parece ser uma nota demasiado geral da inteligência europeia. Sabemos denunciar, não sabemos construir. Daí o desafio que esta Europa, de David Greig e de Pedro Carraca, também nos deixa. O que fazer? Como conseguir aquilo de que se precisa mas não está a ser alcançado? Esta é uma chave decisiva.

 

Em Lisboa, no Teatro São Luiz, até 29 Outubro, 4ª a Sáb. às 20h00 | Dom. às 17h30 (Mais tarde em Palmela, Barcelos, Covilhã e Évora).

 

José Alves Jana é doutorado em filosofia, professor aposentado, voluntário e dirigente associativo. Contacto: jalvesjana@gmail.com

 

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