
“Peço a Deus que encoraje, fortaleça e proteja os que nas suas vidas tenham sofrido estes crimes. Desejo ter ajudado cada leitor desta carta a aproximar-se da verdade que todos desejamos.” Foto © Patriarcado de Lisboa.
Face às notícias que circularam esta semana sobre um caso de abuso sexuais na diocese de Lisboa, denunciado em 1999, o cardeal patriarca publicou esta sexta-feira, 29, uma carta aberta onde explica qual foi o procedimento da Igreja, e o seu em particular, relativamente à vítima e ao padre em questão. Manuel Clemente sublinha que foi assumido o compromisso de “tolerância zero” para estas situações e pede “que ninguém tenha medo” de as denunciar.
As denúncias podem ser feitas “nas Comissões Diocesanas, na Comissão Independentemente, na PGR, na PJ, aos media, onde e junto de quem se sentirem mais seguros”, refere o cardeal num texto divulgado no site do Patriarcado e enviado aos jornalistas.
Quanto à situação em causa, foi acolhida e tratada pelo anterior cardeal patriarca, José Policarpo, tendo em conta as recomendações canónicas e civis da época e o diálogo com a família da vítima. O sacerdote foi afastado da paróquia onde estava e nomeado para servir numa capelania hospitalar”, precisa o atual patriarca.
O cardeal português relata que, após assumir o cargo, marcou um encontro com a vítima, que viria a ser adiado pela mesma e que acabaria por realizar-se em fevereiro de 2019, após novo pedido do patriarca.
“Não entendi, como não entendo hoje, ter estado perante uma renovada denúncia da feita em 1999. Se assim tivesse sido, a mesma teria sido remetida à Comissão Diocesana, criada por essa altura, e teriam sido cumpridos todos os procedimentos recomendados à data. Recordo que as regras e recomendações de 16 de julho de 2020 são posteriores”, aponta.
O patriarca de Lisboa explica que o sacerdote em causa “foi acompanhado e até à atualidade nunca houve qualquer denúncia ou reparo sobre o seu comportamento moral”. “Peço a Deus que encoraje, fortaleça e proteja os que nas suas vidas tenham sofrido estes crimes. Desejo ter ajudado cada leitor desta carta a aproximar-se da verdade que todos desejamos. Verdade que as vítimas nos exigem e merecem”, conclui.










