Este texto foi lido como saudação ao Patriarca de Lisboa, Rui Valério, no início da Bênção de Finalistas Universitários da Diocese, que teve lugar na manhã do passado sábado, dia 23 de maio, na Alameda da Universidade, no Campo Grande, em Lisboa, e reuniu mais de 5200 estudantes. É aqui reproduzido com a autorização da autora.
Senhor Patriarca D. Rui Valério,
É com enorme alegria e profunda gratidão que o saúdo, em nome de todos os finalistas aqui presentes, agradecendo a sua presença na celebração da Bênção dos Finalistas de 2026. Agradeço também a presença de todos, familiares, amigos, professores, funcionários, sacerdotes e de todos aqueles que fizeram parte do caminho de cada um de nós.
Hoje reunimo-nos em ação de graças para assinalar o fim de uma etapa. Foram anos de esforço, exigência, aprendizagem e crescimento, anos feitos de conquistas, mas também de dúvidas e de desafios. Houve momentos em que pareceu estarmos sozinhos e, por isso, aproveito para recordar as palavras do poema Pegadas na Areia:
“Em cada dia vivido, apareciam na areia duas pegadas:
as minhas e as d’Ele.
No entanto, de quando em quando, vi que havia apenas as minhas pegadas,
e isso precisamente nos dias mais difíceis da minha vida.
Então perguntei-Lhe:
‘Senhor, eu quis seguir-Te, e Tu prometeste ficar sempre comigo.
Porque me deixaste sozinho, logo nos momentos mais difíceis?’
Ao que Ele me respondeu:
‘Meu filho, Eu amo-te e nunca te abandonei.
Os dias em que viste só um par de pegadas na areia
são precisamente aqueles em que Eu te levei nos meus braços.’”
E é precisamente essa certeza que hoje reconhecemos com gratidão: nunca caminhámos sozinhos. Deus sustentou-nos silenciosamente através das pessoas que colocou na nossa vida, da esperança renovada e da força para continuar todos os dia.
Hoje, reconhecemos com humildade e gratidão que nenhuma conquista teria sido possível sem essa presença fiel que caminhou sempre connosco.

A finalista Luísa Gilman durante a saudação ao Patriarca de Lisboa. Foto © Arlindo Homem / Patriarcado de Lisboa
Foi neste sentido que escolhemos como lema para esta celebração a frase : “Do empenho à Missão, numa vida com Sentido”. Nela reconhecemos o caminho percorrido e aquele que construiremos daqui para frente.
O empenho fala-nos da dedicação silenciosa, da perseverança e da coragem para continuar sem temer. Já a missão não se resume ao alcance de um diploma ou ao término do curso. Trata-se de algo maior: viver uma vida com sentido.
Recordo, por isso, as palavras do Papa Leão XIV para a próxima Jornada Mundial da Juventude: «Vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo».
Nesta mensagem, o Santo Padre recorda-nos que o testemunho cristão nasce da amizade com Cristo e da certeza de que nunca caminhamos sozinhos. Não somos chamados a viver fechados em nós mesmos, mas a colocar os nossos dons ao serviço dos outros, sendo construtores da paz, da esperança e da fraternidade no mundo que nos espera.
Numa sociedade tantas vezes marcada pela pressa, pela incerteza e pelo individualismo, desejamos entrar na vida profissional e no futuro que nos espera com sentido de missão, conscientes da responsabilidade que temos para com os outros.
Assim, de forma a vivermos uma vida com sentido, somos chamados a assumir a nossa missão no mundo. Mais do que alcançar objetivos pessoais, somos convidados a ser testemunhas da alegria que nasce da amizade com Cristo. Deixemos que essa alegria se traduza em gestos concretos de serviço, cuidado e entrega aos outros. Que saibamos olhar uns para os outros como irmãos e que nunca nos esqueçamos que o verdadeiro sucesso só encontra sentido quando é vivido com amor e em favor dos demais.

O momento do ofertório, em que os finalistas doaram bens para serem entregues a 25 instituições de solidariedade da Diocese de Lisboa. Foto © Arlindo Homem / Patrarcado de Lisboa
Por fim, termino dando graças a Deus, por nunca nos ter abandonado no areal, por nos ter carregado quando os tempos pareciam duros. Às nossas famílias e amigos, pelo apoio constante e amor incondicional.
Aos nossos professores e funcionários, pelo serviço, esforço e dedicação que colocaram na nossa formação e ensino. Gostaria ainda de deixar um agradecimento especial à Dra. Helena Neves e ao Pe. António Ribeiro de Matos do CeUC, e a toda a equipa da organização, que tudo fez para que estivéssemos reunidos aqui hoje.
Senhor Patriarca, agradeço novamente a sua presença entre nós e peço-lhe que reze por nós nesta nova etapa que agora começa, para que nunca nos falte a coragem de viver com propósito, construindo uma sociedade mais humana, mais fraterna e mais luminosa.
Luísa Gilman é finalista do Curso de Medicina na Nova Medical School. Integra um grupo de jovens ACI, ligado à Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.










