
Na conferência deste ano, que se realiza em Baku (Azerbaijão), o assunto principal será como financiar as ações necessárias para aumentar drasticamente as ambições de controlo das alterações climáticas por parte de todos os países. Foto © COP29
Francisco Ferreira (ZERO) e Maria Ressano Garcia (Casa Velha – Ecologia e Espiritualidade) são os convidados para uma conversa na noite (21h00) da próxima terça-feira, dia 12 de novembro, sobre o que esperar da Cimeira do Clima (COP29). O encontro é organizado pelo grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel, tem lugar no Resvés – R. Saraiva de Carvalho 1C, em Lisboa, e é aberto a quem queira participar.
Que ações desenvolver para que os governantes de todo o mundo reunidos na COP29 tomem decisões concretas para salvar o planeta e defender a vida? E, para além da COP29, como viver procurando cuidar da Casa Comum e reforçar a fraternidade humana? – São algumas das questões que estarão também presentes na conversa.
Na conferência deste ano, que se realiza em Baku (Azerbaijão), o assunto principal será como financiar as ações necessárias para aumentar drasticamente as ambições de controlo das alterações climáticas por parte de todos os países. Mas a sua importância vem sendo minada pela confirmação da ausência de vários Presidentes e primeiros-ministros, entre os quais Joe Biden, Emanuelle Macron, Putin, Ursula von der Leyen, Olaf Scholz, Lula da Silva, Xi JinPing e Narandra Modi. Isto apesar dos últimos relatórios sobre o aquecimento global do planeta mostrarem que são necessárias decisões arrojadas para manter o objetivo de aumentar o nível médio da temperatura do planeta de apenas 1,5º em relação à era pré-industrial.
A gravidade da situação levou, há um ano, o Papa Francisco a sublinhar que são necessários compromissos “eficientes, vinculativos e facilmente monitoráveis” em “quatro áreas: a eficiência energética; as fontes de energia renováveis; a eliminação dos combustíveis fósseis; e a educação para estilos de vida menos dependentes destes últimos”.
Em Baku estará em cima da mesa a questão de como financiar os quatro pilares de ação governamental e multilateral contra as alterações climáticas: adaptação; mitigação; perdas e danos. Os primeiros necessitam, sobretudo, de investimentos para acelerar a transição para novas tecnologias e o abandono do recurso aos combustíveis fósseis. Os segundos dizem respeito ao crescimento dos fundos postos à disposição dos países mais pobres e menos poluentes para combaterem os efeitos nocivos das alterações climáticas provocadas pela emissão de gases com efeitos de estufa dos países mais ricos.
As Cimeiras do Clima juntam anualmente responsáveis políticos, diplomatas e peritos dos 154 países que assinaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, lobistas e representantes das empresas petrolíferas e outras, pessoal técnico dos organismos das Nações Unidas, além de ativistas do ambiente. Todos procuram influenciar as decisões, mas estas cabem, final e exclusivamente, aos representantes dos governos nacionais. A convenção, assinada no ano de 1994, destina-se a proteger a humanidade dos impactos negativos das alterações climáticas através da estabilização, ou redução, dos níveis de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Um dos meios para conseguir reduzir esses impactos negativos passa por travar o aquecimento global de forma a manter a temperatura média global em apenas mais 1,5 graus Celsius do que na era pré-industrial. Tal objetivo está cada vez mais longe de ser conseguido.









