AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Casal, namoro, corações, dia são valentim Foto Monstera Production Pexels
"Se estivermos atentos, um dia perceberemos que há sempre um sinal do Amor de Deus a nosso lado", escreve a comissão episcopal. Foto © Monstera Production / Pexels

Mensagem e novos dados

Que sentido faz o Dia dos Namorados? Os bispos portugueses respondem e a APAV confirma

| 12/02/2026

Quando muitos se interrogam sobre o significado e o sentido do Dia dos Namorados, que se assinala no próximo dia 14 de fevereiro, a Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida, faz questão de mostrar que está clara a importância de o celebrar. “Nestes tempos em que se chega à brutalidade da tão frequente violência no namoro”, é “urgente libertar o namoro de todas as falsas imagens e amarras que o manipulam, descaracterizam, pervertem, banalizam e ofendem”, defendem os bispos. Os números que acabam de ser divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) confirmam.

Segundo dados publicados nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, nos últimos quatro anos a instituição apoiou 3.968 vítimas de violência durante e após as relações, sendo que 29% dos casos envolveram jovens menores de 25 anos, que sofreram pelo menos um tipo de violência, incluindo controlo, violência psicológica, perseguição e violência sexual. “O controlo tem sido identificado como o tipo de violência mais normalizado e frequentemente interpretado como demonstração de amor e confiança”, alerta a APAV numa nota enviada aos meios de comunicação social.

A associação, que tem em curso uma campanha que visa precisamente alertar para o controlo no namoro, lembra alguns dos sinais de alerta que indicam comportamentos controladores numa relação: rastreamento contínuo de localização, exigência de acesso a passwords, controlo de amizades e movimentos, e monitorização de comunicações. “Estes comportamentos não são expressões de amor, são sinais de violência”, afirma a APAV.

Quanto à comissão da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), escreve numa mensagem publicada esta quarta-feira, 11 de fevereiro: “Impõe-se-nos que testemunhemos com respeito e convicção a genuína liberdade que brota do amor autêntico de quem se dá, e não de quem pretende servir-se, dominar, escravizar, manipular, usar ou abusar e depois descartar”.

Reconhecendo que “por vezes, o namoro atravessa desertos, silêncios, tempestades, descobertas de realidades exigentes, afinal passa por crises”, os bispos aconselham que, nessas alturas, se reze como São Francisco de Assis: “Senhor, dá-me força para mudar o que deve ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. E expressam o desejo de que “os verbos ‘escutar’, ‘respeitar’, ‘cuidar’, ‘esperar’, ‘doar’, ‘perdoar’, ‘acreditar’ e ‘continuar’, se cruzem sempre com o verbo ‘amar’, porque afinal são sinónimos e concretizações que substantivados, adjetivam a vida com o sabor do saber”.

A Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida, presidida pelo bispo Nuno Almeida, tem como finalidade o acompanhamento das associações de fiéis na área do apostolado dos leigos (movimentos eclesiais, novas comunidades, obras de apostolado, etc.) e a promoção (e formação) da pastoral nas áreas da família, dos idosos, da juventude e do ensino superior.

Na sua mensagem para o Dia de São Valentim, o organismo da CEP recorda ainda que, na origem desta data comemorativa, estará um clérigo que “foi martirizado em 269 ou 270, no dia 14 de fevereiro, pelo facto de abençoar matrimónios de jovens militares, proibidos pelo imperador Claudium II de se desposarem, para que vivessem totalmente concentrados nos deveres militares”.

Salvaguardando a “possível fragilidade dos dados históricos”, os bispos sublinham que “os acontecimentos descritos indicam radical profundidade de consciência e sentimentos, quer nos militares que arriscaram a vida pela celebração do seu matrimónio, quer no clérigo que ousou desafiar a lei e se negou sacrificar aos deuses romanos, e por isso lhe foi aplicada a pena capital”.

Assim, assinalam, “na provável origem deste Dia, está bem clara a força do Amor e da Consciência, capazes de enfrentar a morte. De facto, o amor é a capacidade de dar a vida pelo outro”. E lembram que “na perspetiva da Fé Cristã, um só é o Amor, e ser amado por este Amor e aprender a amar com este Amor é a síntese do projeto do namoro cristão. Dizemos mesmo, de todo o namoro humano”.

Conclui a comissão: “Se estivermos atentos, um dia perceberemos que há sempre um sinal do Amor de Deus a nosso lado e que Ele está sempre connosco. (…) Por isso, se o namoro é um tempo a caminho do casamento, o namoro deve, porém, ser uma experiência autêntica e iluminadora para toda a vida”.

 

 

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Das cantigas de amigo à vinha

[Metáforas vivas]

Das cantigas de amigo à vinha novidade

Este texto corresponde à homilia de domingo, 4 de outubro, [domingo xxvii do tempo comum ― a ― 2026; 1º dia da semana da educação cristã; 800 anos da morte de S. Francisco], proferida pelo padre Joaquim Félix na igreja de S. Paulo, do Seminário Conciliar de Braga.

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This