O rabi-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, acusou publicamente o Papa Francisco de alimentar sentimentos anti-Israel e antijudaicos ao manifestar repetidamente uma “indignação seletiva”, concentrada no sofrimento dos palestinos sem reconhecer as ameaças à existência de Israel. “O diálogo católico-judaico está arruinado há meses”, disse o rabi Di Segni na reunião anual para promover esse mesmo diálogo na Diocese de Roma.
“Parece que a Igreja está novamente cedendo à tentação de cortar laços com o judaísmo”, reforçou o rabi, na Pontifícia Universidade Lateranense, no dia 16 de janeiro, recordando que “um papa não pode dividir o mundo em filhos e enteados e, portanto, deve denunciar o sofrimento de todos”, frase com que concorda “plenamente”, mas, voltou a acusar, “é precisamente isso que o Papa não faz.”
Citado pela edição de dia 17 de janeiro da revista jesuíta America, o rabi Di Segni concluiu afirmando que, embora acredite que a relação católico-judaica é “um diálogo que está arruinado há meses”, não há dúvidas que “para aqueles que acreditam, o diálogo não é, e não pode ser, algo trivial a interromper”.
Marco Gnavi, o padre diretor do serviço da Diocese de Roma para o diálogo ecuménico e inter-religioso e anfitrião do encontro, ripostou: “Não acredito que seja verdade que o Papa esteja em silêncio sobre alguns dos horrores de nossos dias”, incluindo o bárbaro ataque do Hamas a Israel e a continuação do rapto de reféns, bem como ameaças mais generalizadas contra Israel. “Não nos pode pedir para sofrermos consigo, excluindo os outros”, disse Gnavi dirigindo-se diretamente ao rabino.
Insistindo que o único “verdadeiro inimigo é o ódio”, o padre enfatizou que criticar as ações militares de Israel em Gaza não significa questionar o direito de Israel a existir ou a defender-se.
O ataque do rabi-chefe de Roma ao Papa é apenas mais uma das múltiplas acusações que as posições de Francisco em relação à situação em Gaza têm suscitado a autoridades religiosas judaicas ou ao Governo de Israel. A 22 de dezembro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita divulgou uma violenta nota contra o Papa Francisco, acusando-o de fazer “observações sem qualquer conexão com o contexto real e factual da luta de Israel contra o terrorismo jihadista”. A nota concluía: “As críticas só devem ser dirigidas aos terroristas, não à democracia que se defende contra eles. Devemos pôr fim ao duplo padrão e a colocar o Estado judeu e o seu povo numa lista negra.” [ver 7MARGENS]
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