
“O mundo do Vaticano, com os seus títulos grandiosos e roupas estranhas” pode ser “intimidador”, disse o frade e teólogo Timothy Radcliffe aos sinodais numa das suas recentes meditações. Foto © Synod.va
Será particularmente fácil identificar Timothy Radcliffe entre os 21 prelados que serão elevados a cardeais no consistório do próximo dia 8 de dezembro, no Vaticano. E não é por ser o mais alto de todos. É que o frade dominicano inglês pediu ao Papa que o dispensasse de usar a “elaborada indumentária cardinalícia”… e Francisco aceitou.
Radcliffe será, assim, o único purpurado que não fará jus a essa designação pela qual também são conhecidos os cardeais, precisamente devido à cor vermelho púrpura das vestes que habitualmente usam. Fazem parte da indumentária tradicional do cardeal uma batina coral vermelha, um roquete de linho com ou sem punho vermelho, murça vermelha de lã, uma cruz peitoral presa a um cordão dourado, o solidéu vermelho e a faixa, também vermelha, sobre a cintura.
Mas Radcliffe prefere manter o seu hábito simples, e branco, de frade dominicano. E quando fez o seu pedido ao Papa, este terá respondido no próprio dia que o “entendia perfeitamente” e que iria “libertá-lo de usar vestes tão elaboradas”. Assim o contou o próprio frade e teólogo em entrevista à estação de rádio inglesa BBC no passado domingo, 13 de outubro.
O pedido de Radcliffe vem na linha daquilo que o pregador – que tem sido um dos dois convidados pelo Papa para orientar os retiros do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade – disse recentemente aos “sinodais” numa das suas meditações: “o mundo do Vaticano, com os seus títulos grandiosos e roupas estranhas” pode ser “intimidador” [ver 7MARGENS].
E a resposta de Francisco também não surpreende. Ele que, na carta que dirigiu aos futuros cardeais, lhes pediu que olhassem “mais longe”, com as “mãos juntas” e os “pés descalços”, e terminou com o apelo: “que o título de ‘servidor’ – diácono – ofusque cada vez mais o de ’eminência'”.









