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radio catolica na Guine Bissau, Foto © ACN

Rádios católicas assumem papel “absolutamente essencial” em África

| 23/05/2020

Rádios católicas assumem papel “absolutamente essencial” em África

by | 23 Mai 20

radio catolica na Guine Bissau, Foto © ACN

Emissão de uma rádio catolica na Guiné-Bissau. Foto © ACN Portugal

 

Não têm televisão nem acesso a jornais ou revistas e muito menos Internet, até porque muitas vezes também não têm luz: há uma parte substancial da população africana para quem o único meio de comunicação social disponível é a rádio. É através das estações de telegrafia sem fios, muitas delas propriedade ou apoiadas por instituições católicas ou cristãs, que mensagens de prevenção, aulas, missas e cultos, catequeses ou peças de teatro chegam a inúmeras comunidades rurais. E se o papel das rádios locais em África já era determinante antes da pandemia de covid-19, agora tornou-se “absolutamente essencial”.

“Trabalhei como diretor de informação sete anos na cadeia de rádios católicas do Sudão (Catholic Radio Network), organizadas como rádios comunitárias, e pude testemunhar a importância desse meio de comunicação no Sudão do Sul”, conta ao 7MARGENS o padre José Vieira, ex-provincial dos Combonianos em Portugal. “A rádio tem um papel especial em culturas que usam a oralidade como veículo de comunicação e transmissão de conteúdos.” Na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja Católica assinala neste domingo, 24 de maio, o Papa Francisco escolheu precisamente o tema da narração como mote.

A primeira estação que este missionário ajudou a fundar foi a Rádio Bakhita, em Juba (capital do Sudão do Sul). “Havia momentos de oração e de catequese, cursos de inglês, rádio-teatro sobre temas importantes como política, cultura… E os fóruns: de manhã e à tarde, muito participados apesar de as chamadas via telemóvel serem muito caras”, recorda José Vieira.

“Em tempo de prevenção devido à covid-19”, acrescenta, “as rádios têm uma grande vantagem: fazer uma campanha de prevenção é extremamente barato”. E também é barata “a tecnologia da transmissão FM, em termos de emissão e sobretudo de receção”, explica, lembrando que, “com a introdução da tecnologia solar e de corda, o problema das pilhas foi resolvido”.

 

Escolas fechadas, aulas nas emissoras católicas

A Rádio Maria, em Lomé, e a Rádio Santa Teresa, em Sokodé, são duas das emissoras católicas do Togo que, neste tempo de pandemia, estão a transmitir aulas à distância, permitindo que os alunos universitários e dos últimos anos de cada ciclo não interrompam a sua formação e se preparem para os exames finais, apesar do encerramento das escolas.

A “rádio-escola” pretende consolidar os conhecimentos adquiridos nas disciplinas de língua francesa, matemática, filosofia, física, economia e contabilidade. “Os pais aprovam a ideia e pedem que os programas radiofónicos de formação abranjam também outras matérias”, afirma o padre Awesso Boko, secretário geral da Direção de Ensino Católico de Sokodé, em declarações ao jornal La Croix.

Também a fundação Ajuda à Igreja que Sofre alertou recentemente para a importância de apoiar as estações católicas em países como o Togo, Guiné-Bissau, República Democrática do Congo, Angola, Burkina Faso, Camarões, Quénia, Libéria, Madagáscar, Malawi, Moçambique, Uganda, República Centro-Africana, Tanzânia e Zâmbia.

“Em África, as distâncias não se medem em quilómetros, mas em tempo. A falta de estradas dificulta as viagens, tal como a ausência de luz elétrica, por exemplo, complica seriamente a vida quotidiana das famílias”, explica a organização, sublinhando que atualmente “as pessoas precisam de se refugiar nas suas casas para evitar contágios” e “a comunicação revela-se essencial”. Para que essa comunicação seja possível, é a rádio que “assume um protagonismo que noutros continentes costuma pertencer à televisão ou à Internet”, aproximando os povos “mesmo que vivam isolados, sem luz, nem estradas, nem outros luxos da civilização”.

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