
Apesar das suspeitas sobre um testemunho e de o próprio ter reclamado inocência, a execução foi consumada. Foto © Michael Hagerty/Houston Public Media
Apesar do processo judicial envolto em incertezas e da oposição de muitos grupos e ativistas de direitos humanos, Ivan Cantu foi executado esta quarta-feira, 28 de fevereiro por, alegadamente, ter assassinado um primo e uma mulher de 21 anos, em 2000 – acusação que o próprio negava. Entre os que se opuseram à execução, estiveram vários grupos católicos.
O processo criminal levantou muitas dúvidas. Aliás, a execução de Cantu já tinha estado programada para abril de 2023, tendo sido travada devido a novos depoimentos que avançavam com a hipótese da existência de um testemunho fraudulento no julgamento.
Foram inúmeros os membros da comunidade católica que mostraram o seu apoio a Ivan Cantu, invocando dúvidas quanto à fiabilidade da sua condenação. Entre eles, esteve o grupo contra a pena de morte Catholics Mobilizing Network (CMN) que chegou a exortar os leitores no seu sítio web a contactarem o governador [Greg] Abbott e o Texas Board of Pardons and Paroles para os exortar a renunciar à execução”.
Também a irmã Helen Prejean, conhecida pela sua militância contra a pena de morte (que deu origem ao filme A Última Caminhada, protagonizado pela atriz Susan Sarandon) e a Conferência dos Bispos Católicos do Texas se manifestaram em defesa de Cantu. Jennifer Allmon, diretora executiva da Conferência, afirmara à CNA, na última segunda-feira, que a organização dirigira uma mensagem ao Texas Board of Pardons and Paroles e ao governador do estado, Greg Abbott, a requerer a suspensão da execução. “Tirar a vida a alguém que é potencialmente inocente do crime pelo qual está a ser morto não é moral e não deve ser tolerado pelo estado do Texas”, reiterou Allmon.
“A Igreja [Católica] ensina que é inadmissível que as sociedades modernas recorram à pena capital, porque é um ataque à inviolabilidade e à dignidade da pessoa. Esperamos responsabilidade pelos danos, disciplina e reparação legítimas, e a proteção da sociedade. Tudo isto pode ser realizado sem execuções”, acrescentou.
Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte norte-americano, o estado do Texas apresenta o segundo maior número de execuções por 100 mil habitantes no país. Um total de 586 pessoas já foram mortas judicialmente desde 1976, o maior número de todos os estados norte-americanos.









