Rede de abusos sexuais denunciada na Igreja Católica no Perú

| 15 Jul 20

Abuso de menores.

Além das vítimas, os denunciadores teriam sido ameaçados, de forma a que as acusações não fossem tornadas públicas, acusa a reportagem. Ilustração © Churchandstate.org

 

Uma investigação jornalística do jornal peruano La República denunciou esta semana a existência deo que será uma rede de abusos sexuais de menores e adolescentes perpetrados por diversos padres do país, com o encobrimento e negligência de vários bispos, entre eles o presidente da Conferência Episcopal Peruana (CEP), que tem também a mesma função no Conselho Episcopal Latinoamericano (Celam), Héctor Miguel Cabreros Vidarte, membro da Ordem dos Frades Menores (franciscanos).

De acordo com a investigação, existem mais de cem denúncias relativas a pelo menos doze padres da arquidiocese de Trujillo e de Huamachuco, no norte do Perú. Os abusos terão ocorrido na década de 1990, mas algumas das queixas foram apresentadas entre 2005 e 2015.

As denúncias chegaram ao conhecimento de um grupo de padres da região que, juntamente com as vítimas, decidiram apresentá-las às autoridades eclesiásticas e civis, e agora também à imprensa. Segundo o La República, estes religiosos terão sido ameaçados pela hierarquia da Igreja, tentando que as informações não fossem divulgadas.

Numa carta entretanto dirigida ao diretor do jornal, e publicada na página da CEP, a diocese de Trujillo contesta vários pormenores apontados nas notícias, terminando a contestar a afirmação de que tenha havido “indiferença, encobrimento ou qualquer silêncio”. E acrescenta: “Reafirmamos que o arcebispado de Trujillo recusa categoricamente qualquer ato e conduta que atente contra e violente a dignidade da pessoa humana, mais ainda quando se trate de um menor de idade, ao mesmo tempo que renovamos o nosso compromisso com o que o Papa Francisco expressou: ‘Não há lugar no ministério da Igreja para aqueles que cometem este tipo de abusos’.”

Em França, a Associação de Ajuda às Vítimas de Movimentos Religiosos na Europa e suas Famílias (AVREF, na sigla francesa), divulgou esta quarta-feira, 15 de julho, um “Livro Negro” que relata os abusos sexuais e psicológicos de que foram alvo elementos da Comunidade de Saint-Jean.

Muitos destes abusos já tinham sido divulgados em 2016, mas nesta publicação a associação inclui testemunhos inéditos de diversos irmãos e religiosas, revelando as “sequelas profundas” que os abusos deixaram nas vítimas, algumas das quais chegaram mesmo a cometer suicídio. A AVREF sublinha ainda que muitos dos agressores não chegaram a ser punidos pelos seus atos e continuam a assumir cargos pastorais relevantes.

 

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