
Daniel Ortega, Presidente da Nicarágua, em discurso no dia 28 de setembro de 2022. Regime tem atacado com expulsões e detenções confissões religiosas no país. Foto do site TN8.
Agosto tem sido um mês muito difícil para os jesuítas na Nicarágua. Depois de as autoridades do país terem confiscado os bens da Universidade Centro-Americana (UCA), confiada aos jesuítas, por decisão judicial, sob a acusação de aquela ser “um centro de terrorismo”, e depois de terem dado ordem de despejo a seis padres jesuítas, responsáveis dessa UCA, o Governo de Manágua declarou, na quarta-feira, 23 de agosto, que a Companhia de Jesus é ilegal na Nicarágua e ordenaram que fossem confiscadas “todas as suas propriedades”, segundo um comunicado da Província Centro-Americana, difundido pelo Vatican News, e citado pela agência Ecclesia.
A Província Centro-Americana da Companhia de Jesus condenou o que apelidou de nova agressão contra os jesuítas na Nicarágua, considerando que ela faz parte de um contexto nacional de repressão sistemática, que foi qualificada como “crimes contra a humanidade” pelos especialistas em Direitos Humanos para a Nicarágua das Nações Unidas.
Segundo o comunicado, o Estado da Nicarágua, através do Ministério do Interior, por meio do Acordo Ministerial N.105-2023, publicado esta quarta-feira, cancelou o status legal da Associação da Companhia de Jesus na Nicarágua e estabeleceu que a Procuradoria-Geral da República transfira para o Estado os seus bens imóveis e móveis; um acordo realizado sem dar aos jesuítas a oportunidade de legítima defesa e sem uma instância judicial imparcial.
O portal de notícias do Vaticano informa que os jesuítas pedem ao casal presidencial da Nicarágua (o Presidente Daniel Ortega e a sua mulher, Rosario Murillo, que é a vice-presidente do país) que “cesse a repressão” e aceite que se encontre “uma solução racional na qual prevaleçam a verdade, a justiça, o diálogo, o respeito aos direitos humanos e o Estado de Direito”.
“Respeitem a liberdade e a total integridade dos jesuítas e das pessoas que colaboram com eles ou com quem eles colaboram”, acrescenta a Província Centro-Americana da Companhia de Jesus, que se une “às milhares de vítimas nicaraguenses” que esperam “justiça e reparação pelos danos que o atual governo está a causar”.
No seu comunicado, os jesuítas, agradecem também os “inúmeros sinais de reconhecimento, apoio e solidariedade” que têm recebido, informa o Vatican News.









