Reino Unido: Bispos anglicanos pressionam governo a assinar tratado anti-nuclear

| 16 Nov 20

justin welby e stephen cotrell, Foto_ Anglican Ink

O arcebispo de Cantuária, Justin Welby (esq.) e Stephen Cotrell, arcebispo de York. Foto © Anglican Ink.

 

Mais de 30 bispos da Igreja de Inglaterra, entre eles Justin Welby, arcebispo de Cantuária, e Stephen  Cottrell, arcebispo de York, assinaram uma carta apelando ao Governo britânico para que adira ao Tratado Internacional de Proibição de Armas Nucleares, o qual atingiu no mês passado as 50 ratificações necessárias para entrar formalmente em vigor, a partir de 22 de janeiro.

“Lamentamos muito que o Reino Unido, juntamente com outros países nucleares, ainda não tenha assinado o acordo. Apelamos ao governo do Reino Unido para que o faça e, assim, dê esperança a todas as pessoas de boa vontade que procuram um futuro de paz”, afirmam os bispos na missiva, publicada na passada sexta-feira, 13 de novembro, pelo The Observer.

A carta aplaude a ratificação do tratado, sublinhado que “tantas nações do mundo a falar claramente da necessidade de banir estas armas de destruição em massa é um sinal encorajador e esperançoso”. Também António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, afirmou que a ratificação do tratado é “o culminar de um movimento mundial para chamar a atenção para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso de armas nucleares”. Peter Maurer, presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha, disse por seu lado que esta foi “uma vitória para a humanidade e uma promessa de um futuro mais seguro”.

De acordo com dados das Nações Unidas, existem atualmente cerca de 13,4 mil armas nucleares e mais de metade da população mundial vive em países que possuem essas armas ou são membros de alianças nucleares.

Destes, cinco países são “proprietários legais”, respeitando o Tratado de Não Proliferação (TNP): Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China. São ainda “proprietários declarados” a Índia, o Paquistão, Israel e a Coreia do Norte. Entre os países que se opõem à proibição incluem-se os Estados Unidos, defensores da teoria da dissuasão, segundo a qual a única forma de evitar um ataque é possuir meios militares que assegurem a destruição total do inimigo. Entre os países que ainda não ratificaram o tratado, está também Portugal.

 

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