Protestos no Reino Unido contra legalização de abortos químicos em casa durante o período de pandemia

| 2 Abr 20

Aborto

Cartaz com a legenda “aborto mata”, numa estrada do Texas, EUA: Reino Unido e Estados Unidos com sinais contrários nos últimos dias. Foto Jonathan Cutrer /Wikimedia Commons

 

Vários grupos pró-vida e responsáveis católicos contestam fortemente a decisão do Governo britânico, no sentido de permitir que, durante o período de pandemia de covid-19, as mulheres possam realizar abortos químicos em casa, através da toma de dois comprimidos. Isto será possível para grávidas até às dez semanas de gestação, após consulta telefónica ou online e com prescrição médica.

Os grupos que se opõem à medida consideram este tipo de aborto perigoso para as mulheres, mesmo quando realizado depois de uma consulta com um médico.

“É uma vergonha absoluta que o lobby do aborto se aproveite da terrível situação na qual nos encontramos para instigar a maior mudança na lei do aborto de 1967, que vimos em todos estes anos, sem nenhuma consulta pública”, afirmou Liz Parsons, diretora da Life, uma organização pró-vida do Reino Unido.

Também o bispo auxiliar católico de Westminster, John Sherrington, disse ter ficado “chocado” com a notícia. “Embora estes sejam tempos de emergência, estas medidas colocam ainda mais em risco as mulheres que, por exemplo, se veem obrigadas, por parceiros abusivos, a tomar decisões e agir sem nenhuma consulta adequada. Diminuem a seriedade com que essas decisões devem ser tomadas e aumentam os perigos físicos e psicológicos da administração desses medicamentos em casa”, defendeu.

A decisão governamental foi anunciada na segunda-feira, 30 de março. De acordo com o Ministério da Saúde britânico, ela pretende “ajudar as mulheres que precisam de fazer um aborto, mas não têm acesso a uma clínica devido às medidas implementadas para combater a disseminação do coronavírus”.

O governo garantiu que a medida será temporária e vigorará por um prazo máximo de dois anos ou até que termine “a crise do coronavírus”. Ao mesmo tempo, assegurou ainda que se trata de “uma medida segura e simples, que irá melhorar dramaticamente o acesso das mulheres à saúde e bem-estar neste contexto”.

 

Irlanda despenaliza, Estados Unidos proíbem

A medida coincidiu com a entrada em vigor, na Irlanda do Norte, da despenalização do aborto até às 12 semanas (ou até às 24, nos casos em que a manutenção da gravidez represente um risco para a saúde física ou mental da mulher superior ao de interromper a gravidez), a qual havia sido aprovada em outubro do ano passado. A Irlanda do Norte era a única nação constituinte do Reino Unido em que o aborto ainda não havia sido despenalizado.

No sentido contrário, diversos estados do centro e sul dos Estados Unidos da América, entre os quais o Texas, incluíram os abortos voluntários na lista de procedimentos médicos “não urgentes” que ficam proibidos durante a crise gerada pela pandemia de covid-19.

Acusando os políticos de se aproveitarem da situação de emergência para fins “ideológicos”, os defensores do direito ao aborto já recorreram aos tribunais para que as clínicas de aborto possam permanecer abertas.

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