Omitindo divisões do Islão

Reitor convida Francisco a visitar Mesquita de Paris

| 28 Fev 2022

Vista da entrada da Grande Mesquita de Paris. Foto © LPLT/Wikimedia Commons

Grande Mesquita de Paris: Papa Francisco foi convidado a visitar o espaço pelo seu reitor. Foto © LPLT/Wikimedia Commons

 

O Papa Francisco recebeu hoje, dia 28 de fevereiro, em audiência privada, uma delegação da Grande Mesquita de Paris chefiada pelo reitor Chems-Eddine Hafiz, noticia a agência Zenit, segundo a qual o reitor convidou o Papa – a quem entregou uma longa mensagem de sete páginas – a visitar a Grande Mesquita.

Os representantes do Islão em França têm vindo a desentender-se na reação à iniciativa do Presidente Macron que pretendia a sua organização numa cúpula única intitulada Conselho Nacional dos Imãs de França (ver 7MARGENS). Com esta iniciativa, Macron procurava reunir todas as correntes e obediências moderadas do Islão (a segunda religião em França) para as mobilizar contra a radicalização e criando um órgão que acreditasse todos os imãs exercendo em França e assim libertasse o país das três centenas de imãs nomeados por países estrangeiros.

Tal objetivo ficou altamente comprometido quando a 14 novembro do ano passado a Grande Mesquita de Paris divulgou a criação de um conselho nacional dos imãs (CNI), tendo no próprio dia o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) publicitado que iria criar o seu próprio CNI. À iniciativa da Grande Mesquita de Paris (muito ligada ao Islão argelino) juntaram-se as três federações muçulmanas que tinham cortado relações com o CFCM em março de 2021, originando, segundo o Le Monde, a maior crise deste órgão que tem sido o interlocutor privilegiado dos poderes públicos franceses. As causas desta divisão, para além da proximidade de cada uma das partes a diferentes correntes geográficas do Islão (o presidente do CFCM é tido como mais próximo do Islão marroquino), radicam numa maior abertura da Grande Mesquita de Paris (e das federações que com ela romperam com o CFCM) a uma visão laica do Estado e ao reconhecimento da importância da liberdade religiosa.

 

“Curar as feridas”

Na mensagem entregue a Francisco, o reitor Chems-Eddine Hafiz começa por citar a Declaração de Abu Dhabi assinada a 4 de fevereiro de 2019 pelo Papa e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, sobre a Fraternidade Humana em Prol da Paz Mundial e da Convivência Comum para depois escrever: “A ameaça das armas, do extremismo, do antagonismo, da exclusão e do egoísmo cresce no Velho Continente. Esta ameaça paira de modo particular sobre a França. Devemos lembrar que (…) os filhos de fé muçulmana merecem viver, sem exceção, como cidadãos plenos da nação francesa.” A França é, recorda o texto do reitor, o país europeu que reúne o maior número de judeus e muçulmanos e, portanto, “se as divisões da sociedade francesa se agravarem, a convivência religiosa dará lugar à intolerância, na Europa e em todo o mundo”.

Mas Chems-Eddine Hafiz acredita que “a palavra de Sua Santidade pode curar estas feridas e devolver o sentido de humanidade e de fraternidade” e é por isso que em seu nome e no nome dos imãs que estão a seu lado e “em nome de todos os muçulmanos da França, ficaríamos extremamente honrados em receber o Santíssimo Padre na Grande Mesquita em Paris”.

“Deste lugar símbolo da reconciliação de memórias e diferenças do presente” – conclui a carta do reitor – “Sua Santidade teria a oportunidade de transmitir, com excecional amplitude, a sua mensagem e o seu desejo universal de humanidade e fraternidade.”

 

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