Religiões e mulheres

Ruth Bader Ginsburg: a juíza pioneira e “orgulhosamente judia” que provou que as mulheres não se medem aos palmos

O facto de tantos chamarem “gigante” a uma mulher que não media mais do que 1,55m diz muito sobre ela. Ruth Bader Ginsburg, que morreu esta sexta-feira aos 87 anos vítima de cancro no pâncreas, era a mais antiga juíza do Supremo dos Estados Unidos da América e será a primeira da história a merecer dois dias de exéquias, incluindo uma cerimónia no Capitólio, tal a legião de admiradores que conquistou ao longo do seu percurso como defensora da justiça, e em particular dos direitos das mulheres.

Monja budista denuncia discriminação e maus tratos nos mosteiros femininos de Myanmar

A monja budista Ketumala, ativista dos direitos das mulheres em Myanmar, alerta para a discriminação e desprezo de que continuam a ser alvo os conventos femininos no país. Enquanto os monges são altamente respeitados na sociedade e não têm dificuldades em obter donativos para financiar os seus mosteiros, as monjas vêem-se muitas vezes obrigadas a pedir esmola na rua, onde chegam a ser maltratadas, denuncia.

Ex-freira acusa padre de a ter violado e diz-se pronta a falar com o Papa, se a justiça não funcionar

Claire Maximova, ou irmã Virginie enquanto carmelita que foi durante dez anos, acusa um padre de a ter violado em várias ocasiões durante 16 meses enquanto estava no Carmelo. A sua história foi contada há dias pela revista francesa L’Obs, já depois de a própria ter publicado o livro La Tyrannie du Silence (“A tirania do silêncio”), em Janeiro de 2019.

Núncio de França convoca “mulheres apóstolas” para reunião, depois de uma delas receber ameaças de morte

O núncio de França convocou esta semana para uma reunião as sete “mulheres apóstolas” que no passado dia 22 de julho entregaram as suas candidaturas a cargos reservados aos homens na Igreja Católica. A primeira a ser contactada pelo representante do Papa, Celestino Migliore, foi a teóloga francesa Sylvaine Landrivon, que horas antes tinha recebido uma carta anónima com ameaças de morte.

Cardeal critica relação de “submissão e domínio” dos homens sobre as mulheres na Igreja

O cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, criticou o que considera a relação de “submissão e domínio” que os homens frequentemente têm sobre as mulheres na Igreja Católica, e sublinhou a necessidade de uma renovação mais profunda da vida religiosa em toda a linha.

Sete mulheres candidatam-se a cargos reservados aos homens na Igreja Católica

Diácono, padre, bispo, núncio apostólico… todas estas funções essenciais na hierarquia da Igreja Católica estão reservadas aos homens, mas em França houve sete mulheres que decidiram desafiar as regras e candidatar-se a elas. Pertencem ao coletivo “Toutes Apôtres!” (“Todos Apóstolos!”, em português) e escolheram simbolicamente o dia de Santa Madalena, considerada a “13ª apóstola”, assinalado a 22 de julho, para entregar as suas candidaturas na nunciatura francesa, em Paris.

“Não há como voltar atrás”: pandemia fortalece luta das mulheres por um papel mais relevante na Igreja

Durante o período de confinamento, viram-se privadas das missas, e isso só fez crescer nelas a convicção de que poderiam tê-las celebrado sem um padre: dez religiosas alemãs tornaram pública, esta quinta-feira, a sua reivindicação de poderem celebrar eucaristias, e estão cada vez mais acompanhadas nesta luta por um papel relevante da mulher dentro da Igreja Católica. Em França, vão-se somando os apoios à recente candidatura de Anne Soupa a bispa. Nos EUA, sugere-se que o Papa só está à espera que haja mais pressão nesse sentido por parte dos leigos. Na Alemanha, o famoso monge beneditino Anselm Grün assegura que é uma questão de tempo até que o sacerdócio feminino se torne realidade.

Clero da Igreja de Inglaterra cada vez mais feminino

Pela primeira vez na sua história e desde que em 1994 aprovou o sacerdócio feminino, a Igreja de Inglaterra ordenou, em 2019, mais mulheres do que homens: 51%, dizem estatísticas publicadas pela Igreja-mãe da Comunhão Anglicana.

Leigos e mulheres à frente de paróquias: Igreja Católica alemã ensaia novos modelos de liderança

A diocese de Münster, uma das maiores da Alemanha, acaba de apresentar um documento sobre o tema “Liderança e responsabilidade na Igreja”. Trata-se de uma brochura destinada a provocar debate e reflexão a todos os níveis diocesanos. Apresentam-se vários modelos de liderança para as comunidades paroquiais, como alternativas ao modelo tradicional de um padre/pároco por paróquia.

Alemanha: Mulheres querem permissão para pregar nas eucaristias

A Comunidade Católica das Mulheres (KFD) da diocese de Münster, na Alemanha, enviou uma carta ao seu bispo, Felix Genn, pedindo-lhe que aprove a pregação por parte de leigos nas eucaristias, o que permitiria às mulheres assumir essa função, até agora exercida exclusivamente por diáconos e padres.

Teóloga francesa “candidata-se” a arcebispo de Lyon

A teóloga e biblista francesa Anne Soupa anunciou esta semana na sua conta de Twitter que irá “candidatar-se” para suceder ao cardeal Barbarin como arcebispo de Lyon, num gesto inédito e provocatório que pretende reivindicar um papel mais relevante para as mulheres na Igreja Católica.

Suíça: Mulher leiga nomeada como delegada episcopal

A diocese de Lausana-Genebra-Friburgo, na Suíça, terá uma mulher leiga como delegada episcopal, um cargo que, na Igreja Católica, tem sido quase exclusivamente ocupado por padres. Marianne Pohl-Henzen foi nomeada pelo bispo Charles Morerod e assumirá funções em agosto, ficando responsável por gerir diversas entidades eclesiais e respetivos recursos humanos na parte alemã de Friburgo (uma das cinco vigararias daquela diocese).

Sudão prepara-se para criminalizar mutilação genital feminina

Foi aprovada pelo governo sudanês uma emenda ao código penal que prevê uma pena de até três anos de prisão para quem realizar a mutilação genital feminina. Aguarda-se agora que a lei seja promulgada, mas o avanço foi já aplaudido por diversas organizações de defesa dos direitos humanos, que lutam há décadas pela abolição da prática da excisão, noticiou esta quarta-feira o jornal La Croix.

“A Longa Solidão” – Dorothy Day, uma mulher desinquietada por Deus

A autobiografia de Dorothy Day (1897-1980) intitulada A Longa Solidão, vinda a público em 1952, foi traduzida e publicada em Portugal, em 2019, pela editora Lucerna. Finalmente temos a versão portuguesa entre mãos. Os dias de confinamento deram-me tempo e disponibilidade para saborear de um trago a leitura desta autobiografia, o que também me levou a revisitar o livro de Jim Forest Tudo é Graça, traduzido e publicado em 2016 pela Paulinas Editora.

Cardeal Ouellet quer maior participação das mulheres na formação de padres

O cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, no Vaticano, defende um maior envolvimento direto das mulheres na formação dos padres nos seminários. Numa entrevista ao suplemento do jornal Osservatore Romano, Donne Chiesa Mondo, o cardeal canadiano afirmou esta sexta-feira, 24, que “não se trata de promover as mulheres, mas de considerá-las como parte integral da formação”.

“Se fosse Papa, revia a ordenação das mulheres”, diz vice-presidente dos bispos alemães

“Se fosse Papa por um dia, o que faria?” A questão foi colocada ao bispo Franz-Josef Bode, vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, durante uma sessão de perguntas e respostas em vídeo que decorreu esta segunda-feira, 21, no perfil de Instagram da sua diocese, Osnabrück. “A primeira coisa que faria seria rever a ordenação das mulheres”, respondeu sem hesitar o bispo alemão.

Violência doméstica: “outra pandemia” a alastrar silenciosamente

Os telefones da Linha de Apoio à Vítima estão estranhamente silenciosos. Desde que foi decretado o estado de emergência, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) passou a receber “menos de metade das chamadas” que habitualmente recebia com pedidos de ajuda. Serão boas notícias? Daniel Cotrim, psicólogo da APAV, gostaria de acreditar que sim, mas confessa estar mais “assustado” que esperançoso. “Recebermos menos contactos é sinal de uma tranquilidade aparente”, afirma, temendo que, a par da pandemia de covid-19, também a “pandemia da violência doméstica” esteja a alastrar. E mais rapidamente do que antes, mas agora em silêncio.

Católicas manifestam-se em Espanha contra discriminação na Igreja

“O nosso objectivo, esta manhã, não é de ruptura nem excludente”, disse uma das intervenientes na manifestação da Revolta das Mulheres na Igreja. A iniciativa juntou algumas centenas de pessoas, sobretudo mulheres, no exterior da catedral de Almudena, em Madrid, neste domingo, 1 de Março, reivindicando mais participação das mulheres no interior da Igreja Católica. “Procuramos, isso sim, uma reforma da Igreja a partir da perspectiva das mulheres”, acrescentou.

CNJP critica Justiça e silêncio mediático a propósito do assassinato da irmã Maria Antónia Pinho

Críticas à lentidão da justiça, ao pouco destaque dado à notícia do crime se comparado com outros casos semelhantes e às poucas reacções de organizações de mulheres. A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, divulgou neste fim-de-semana um comunicado em que aborda o “cruel feminicídio” que vitimou a irmã Maria Antónia Pinho.

Marie-Hélène Mathieu, 90 anos: um coração transformado diante da diferença

Nascida em França, a 4 de Julho de 1929, numa família numerosa, a infância de Marie-Hélène Mathieu é vivida no campo, em Tournus (região da Borgonha, França). Um dia, aos 5 anos, viu um arco-íris de volta inteira e ficou fascinada. Perguntou o que era aquilo e os irmãos mais velhos contaram a história de Noé e da promessa de Deus de nunca mais enviar o dilúvio. Isso tocou-a profundamente e despertou uma enorme confiança num Deus que faz maravilhas e em quem se pode confiar.

Dia das mulheres diáconos na Alemanha para insistir num tema prioritário

O dia não terá sido escolhido por acaso: 29 de Abril é, no calendário litúrgico, o dia de Santa Catarina de Sena, uma das mulheres mais destacadas da história da Igreja. Catarina de Sena teve um relevante papel na Igreja do seu tempo (século XIV), a ponto de ter sido proclamada doutora da Igreja e uma das padroeiras da Europa. A organização das mulheres católicas da Alemanha escolheu, por isso, o dia litúrgico de Santa Catarina de Sena como “dia das diaconisas”, celebrado desde 1998.

Crentes e não-crentes celebram a mulher na Capela do Rato, em Lisboa

Crentes e não-crentes, mulheres e homens, vão celebrar a figura da mulher através de canto, prosa e poesia. A iniciativa, organizada pela escritora e jornalista Leonor Xavier, tem lugar na Capela do Rato, em Lisboa, nesta quarta-feira, 3 de abril, a partir das 18h30. A ideia é que cada pessoa escolhe um texto para ler ou declamar ou uma canção para cantar, que simbolize o papel ou a importância da mulher.

Demissão das mulheres de “Donne Chiesa Mondo” provoca perplexidades e ameaça ideia de reforma

Um espelho das lutas pelo poder no Vaticano? Mais um sinal de que a oposição interna ao Papa Francisco não o larga? Manifestações de idiossincrasias pessoais e incompatíveis? Um empurrão a alguém que os seus detractores dizem não ser pró-Francisco? Um sinal de que o Papa está a perder a batalha da reforma? Tudo isso e ainda outros factores escondidos? A demissão de Lucetta Scaraffia e da equipa editorial da revista Donne Chiesa Mondo (“Mulheres Igreja Mundo”) provoca várias perplexidades e pode não estar ainda completamente clarificada em todos os seus contornos.

Ascensão (religiosa) e declínio (político) da mulher muçulmana

As experiências das mulheres muçulmanas variam enormemente entre e dentro de diferentes sociedades. Ao mesmo tempo, a sua adesão ao islão é um fator partilhado que afeta as suas vidas em graus diferentes e lhes dá uma identidade comum que pode servir para fechar as diferenças culturais, sociais e económicas entre elas. Enquanto que as mais importantes tradições e práticas do profeta Maomé foram preservadas e transmitidas pelas mulheres mais próximas (as esposas e filhas), as mulheres têm ficado com papéis mais secundários, sobretudo na história recente de vários países de maioria muçulmana – mas, mesmo neste universo, a realidade é diversa consoante o contexto ou os países de que falamos.

A progressiva iluminação das mulheres no budismo

A história do budismo e das mulheres tem início com Mahapajapati Gotami, madrasta de Buda Segundo o livro Old Path, White Clouds (“Caminho velho, nuvens brancas”), de Thich Nhat Hanh, que pretende recordar a história de Buda Gautama, a madrasta e tia de Buda quis ser consagrada quando morreu o rei Suddhodhana, seu marido.

A discriminação das mulheres hindus e o cordão humano de 620 quilómetros

No período pós-independência da Índia, o estatuto social da mulher hindu melhorou, mas ainda há um longo caminho a percorrer. O cordão humano de mulheres, com 620 quilómetros, por causa da interdição das mulheres entrarem no templo Sabarimala (que se realizou no dia 1 de janeiro), mostrou mulheres não conformadas e com uma necessidade de mudança perante o seu papel na sociedade indiana.

Do desconforto das mulheres judias à oração no Muro das Lamentações

Segundo os textos mais clássicos do judaísmo – não só a Bíblia, como também o Talmude e outros –, sempre existiram algumas diferenças entre os géneros. Nos primórdios dos tempos bíblicos, o casamento e a lei familiar favorecia os homens.
A literatura clássica, como o Talmude, tem várias citações que colocam as mulheres subordinadas aos homens. Mas o contrário, por vezes, também acontece, com as mulheres colocadas num patamar superior ao dos homens.