Religiões e mulheres

Violência doméstica: “outra pandemia” a alastrar silenciosamente

Os telefones da Linha de Apoio à Vítima estão estranhamente silenciosos. Desde que foi decretado o estado de emergência, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) passou a receber “menos de metade das chamadas” que habitualmente recebia com pedidos de ajuda. Serão boas notícias? Daniel Cotrim, psicólogo da APAV, gostaria de acreditar que sim, mas confessa estar mais “assustado” que esperançoso. “Recebermos menos contactos é sinal de uma tranquilidade aparente”, afirma, temendo que, a par da pandemia de covid-19, também a “pandemia da violência doméstica” esteja a alastrar. E mais rapidamente do que antes, mas agora em silêncio.

Católicas manifestam-se em Espanha contra discriminação na Igreja

“O nosso objectivo, esta manhã, não é de ruptura nem excludente”, disse uma das intervenientes na manifestação da Revolta das Mulheres na Igreja. A iniciativa juntou algumas centenas de pessoas, sobretudo mulheres, no exterior da catedral de Almudena, em Madrid, neste domingo, 1 de Março, reivindicando mais participação das mulheres no interior da Igreja Católica. “Procuramos, isso sim, uma reforma da Igreja a partir da perspectiva das mulheres”, acrescentou.

CNJP critica Justiça e silêncio mediático a propósito do assassinato da irmã Maria Antónia Pinho

Críticas à lentidão da justiça, ao pouco destaque dado à notícia do crime se comparado com outros casos semelhantes e às poucas reacções de organizações de mulheres. A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, divulgou neste fim-de-semana um comunicado em que aborda o “cruel feminicídio” que vitimou a irmã Maria Antónia Pinho.

Marie-Hélène Mathieu, 90 anos: um coração transformado diante da diferença

Nascida em França, a 4 de Julho de 1929, numa família numerosa, a infância de Marie-Hélène Mathieu é vivida no campo, em Tournus (região da Borgonha, França). Um dia, aos 5 anos, viu um arco-íris de volta inteira e ficou fascinada. Perguntou o que era aquilo e os irmãos mais velhos contaram a história de Noé e da promessa de Deus de nunca mais enviar o dilúvio. Isso tocou-a profundamente e despertou uma enorme confiança num Deus que faz maravilhas e em quem se pode confiar.

Dia das mulheres diáconos na Alemanha para insistir num tema prioritário

O dia não terá sido escolhido por acaso: 29 de Abril é, no calendário litúrgico, o dia de Santa Catarina de Sena, uma das mulheres mais destacadas da história da Igreja. Catarina de Sena teve um relevante papel na Igreja do seu tempo (século XIV), a ponto de ter sido proclamada doutora da Igreja e uma das padroeiras da Europa. A organização das mulheres católicas da Alemanha escolheu, por isso, o dia litúrgico de Santa Catarina de Sena como “dia das diaconisas”, celebrado desde 1998.

Crentes e não-crentes celebram a mulher na Capela do Rato, em Lisboa

Crentes e não-crentes, mulheres e homens, vão celebrar a figura da mulher através de canto, prosa e poesia. A iniciativa, organizada pela escritora e jornalista Leonor Xavier, tem lugar na Capela do Rato, em Lisboa, nesta quarta-feira, 3 de abril, a partir das 18h30. A ideia é que cada pessoa escolhe um texto para ler ou declamar ou uma canção para cantar, que simbolize o papel ou a importância da mulher.

Demissão das mulheres de “Donne Chiesa Mondo” provoca perplexidades e ameaça ideia de reforma

Um espelho das lutas pelo poder no Vaticano? Mais um sinal de que a oposição interna ao Papa Francisco não o larga? Manifestações de idiossincrasias pessoais e incompatíveis? Um empurrão a alguém que os seus detractores dizem não ser pró-Francisco? Um sinal de que o Papa está a perder a batalha da reforma? Tudo isso e ainda outros factores escondidos? A demissão de Lucetta Scaraffia e da equipa editorial da revista Donne Chiesa Mondo (“Mulheres Igreja Mundo”) provoca várias perplexidades e pode não estar ainda completamente clarificada em todos os seus contornos.

Ascensão (religiosa) e declínio (político) da mulher muçulmana

As experiências das mulheres muçulmanas variam enormemente entre e dentro de diferentes sociedades. Ao mesmo tempo, a sua adesão ao islão é um fator partilhado que afeta as suas vidas em graus diferentes e lhes dá uma identidade comum que pode servir para fechar as diferenças culturais, sociais e económicas entre elas. Enquanto que as mais importantes tradições e práticas do profeta Maomé foram preservadas e transmitidas pelas mulheres mais próximas (as esposas e filhas), as mulheres têm ficado com papéis mais secundários, sobretudo na história recente de vários países de maioria muçulmana – mas, mesmo neste universo, a realidade é diversa consoante o contexto ou os países de que falamos.

A progressiva iluminação das mulheres no budismo

A história do budismo e das mulheres tem início com Mahapajapati Gotami, madrasta de Buda Segundo o livro Old Path, White Clouds (“Caminho velho, nuvens brancas”), de Thich Nhat Hanh, que pretende recordar a história de Buda Gautama, a madrasta e tia de Buda quis ser consagrada quando morreu o rei Suddhodhana, seu marido.

A discriminação das mulheres hindus e o cordão humano de 620 quilómetros

No período pós-independência da Índia, o estatuto social da mulher hindu melhorou, mas ainda há um longo caminho a percorrer. O cordão humano de mulheres, com 620 quilómetros, por causa da interdição das mulheres entrarem no templo Sabarimala (que se realizou no dia 1 de janeiro), mostrou mulheres não conformadas e com uma necessidade de mudança perante o seu papel na sociedade indiana.

Do desconforto das mulheres judias à oração no Muro das Lamentações

Segundo os textos mais clássicos do judaísmo – não só a Bíblia, como também o Talmude e outros –, sempre existiram algumas diferenças entre os géneros. Nos primórdios dos tempos bíblicos, o casamento e a lei familiar favorecia os homens.
A literatura clássica, como o Talmude, tem várias citações que colocam as mulheres subordinadas aos homens. Mas o contrário, por vezes, também acontece, com as mulheres colocadas num patamar superior ao dos homens.

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Breves

Doentes de covid-19 mantêm “direito e acesso à assistência espiritual e religiosa” nos hospitais

A Coordenação Nacional das Capelanias Hospitalares emitiu um comunicado esta quarta-feira, dia 1, para esclarecer que “os capelães não estão impedidos de prestar assistência espiritual e religiosa”. Têm, isso sim, de cumprir “medidas de contingência existentes nos hospitais”, como todos os profissionais, por forma a minimizar os “riscos de contágio, quer dos capelães quer dos próprios doentes e dos profissionais”, sublinha o documento.

Cardeal Tagle propõe eliminar a dívida dos países pobres

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, propôs a criação de um Jubileu especial em que os países ricos perdoem a dívida dos países pobres aos quais concederam empréstimos, de forma a que estes tenham condições para combater a pandemia de covid-19.

Oxfam pede “um Plano Marshall de Saúde” para o mundo

A Oxfam, ONG de luta contra a pobreza sediada no Quénia e presente em mais de 90 países, pediu esta segunda-feira, 30, “um plano de emergência para a saúde pública” com a mobilização de 160 biliões de dólares. Este valor permitiria duplicar os gastos com a saúde nos 85 países mais pobres, onde vive quase metade da população mundial.

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Boas notícias

Costurar máscaras cirúrgicas em vez de vestes litúrgicas, ou como combater a pandemia no convento

Costurar máscaras cirúrgicas em vez de vestes litúrgicas, ou como combater a pandemia no convento

À medida que a pandemia alastrava, a angústia crescia no pequeno mosteiro do sul de França onde vivem as Irmãs da Consolação do Sagrado Coração e da Santa Face. As 25 religiosas queriam fazer mais do que rezar. Diante da imagem de Nossa Senhora do Povo, que acreditam ter salvo a sua região da peste em 1524, pediram lhes fosse dada uma tarefa: queriam colaborar com a virgem no combate a esta nova pandemia. No dia seguinte, receberam uma chamada do bispo da diocese e outra do presidente da câmara: ambos lhes pediam para fabricar máscaras.

É notícia

Entre margens

Comunicar na era do coronavírus novidade

Byung-Chul Han é um observador perspicaz da sociedade contemporânea, por ele designada de várias maneiras, como “a sociedade do cansaço” ou “a sociedade da transparência”. Professor universitário em Berlim, ele analisa criticamente aquilo que designa como “o inferno do igual”, ou seja, algo de inevitável naqueles que a todo o custo pretendem ser diferentes mas que, na realidade, se aproximam por esse desejo comum – aliás não conseguido – de originalidade.

Deus sem máscaras novidade

Assisti à cerimónia da consagração ao coração de Jesus e ao coração de Maria, proposta pelos bispos de Portugal, Espanha e outros países. Um ponto de partida para reflectir sobre oração e rito.

A ilusão do super-homem

As últimas semanas em Portugal, e há já antes noutros cantos do mundo, um ser, apenas visível a microscópio, mudou por completo as nossas vidas. Na altura em que julgávamos ter atingido o auge da evolução e desenvolvimento técnico e científico, surge um vírus.

Cultura e artes

Tagore: Em busca de Deus novidade

Rabindranath Tagore (1861-1941), Nobel de Literatura em 1913, é um grande poeta universal. Indiano, de família principesca, estudou Direito e Literatura, em Inglaterra, em 1877, não chegando a acabar o curso devido à secura do ensino superior ministrado. Tal como o seu amigo Gandhi, que sabia de cor e recitava todos os dias as Bem-aventuranças, foi atraído pelo cristianismo e

Editora francesa oferece “panfletos” sobre a crise

Sendo certo que as doações essenciais neste período de pandemia dizem respeito a tudo o que nos pode tratar da saúde física, não há razão para negligenciar outras dádivas. É o caso de uma das mais famosas editoras francesas, a Gallimard, que diariamente oferece textos que pretendem ser uma terceira via entre a solenidade da escrita de um livro e o anódino da informação de um ecrã.

Sete Partidas

A doença do coronavírus serve de desculpa para tudo? novidade

À boleia da pandemia que nos aflige, vejo coisas a acontecer que não podem deixar de me espantar, pela sua aberração e desfaçatez de quem as pratica. Em meados de fevereiro, em Mullaithivu, no norte do Sri Lanka, foi descoberta uma vala comum enquanto se procedia às escavações para as fundações duma extensão do Hospital de Mankulam. Segundo os médicos legistas, os restos mortais encontrados têm mais de 20 anos.

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

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