Moçambique

Religiosa italiana assassinada em ataque a missão comboniana

| 7 Set 2022

missao comboniana em chipene moçambique

A irmã Maria De Coppi (a segunda a contar da esquerda) tinha 84 anos e estava em Moçambique desde 1963. Foto: Direitos reservados.

 

A missão comboniana de Chipene, na fronteira com a província de Cabo Delgado, em Moçambique, foi alvo de um ataque na noite desta terça-feira, 6. Um grupo armado não identificado pegou fogo às instalações onde dormiam e trabalhavam os religiosos, e assassinou a tiro uma irmã italiana. Outras duas missionárias combonianas e dois padres fidei donum terão conseguido fugir e estão até ao momento incontactáveis.

“Ainda estamos a aguardar informações oficiais, mas pensa-se que tenha sido um ataque terrorista”, refere ao 7MARGENS a irmã Rosário Marinho, superiora provincial das Irmãs Missionárias Combonianas em Portugal. “Segundo se sabe, este ataque já estaria a ser ameaçado há algum tempo e por esse motivo as crianças que frequentavam a escola da missão foram convidadas a irem para as suas casas nas aldeias para estarem mais seguras.”

O grupo armado ter-se-ia aproximado da missão 24 horas antes, mas sem conseguir cruzar o rio Lurio, a fronteira natural com a província de Cabo Delgado, que tem sido o principal paco de violência por parte de grupos terroristas ao longo dos últimos meses. O ataque aconteceu na noite seguinte, tendo as instalações da missão sido incendiadas, incluindo o dormitório e a sala de informática recém-inaugurada, avançou o Vatican News.

A irmã assassinada, Maria De Coppi, tinha 83 anos e estava em Moçambique desde 1963, quando este era ainda uma colónia portuguesa. Natural de Treviso (próximo de Veneza), serviu em diversas missões na província de Nampula. “Dedicou toda a sua vida à missão em Moçambique. Não pretendia regressar a Itália e pedia a graça de falecer em solo moçambicano para poder ficar com o povo que tanto amava”, recorda a irmã Vera Rocha, também missionária comboniana.

O cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana e arcebispo de Bolonha, expressou a sua profunda dor e convidou todos a rezar pela irmã ” que durante sessenta anos serviu em Moçambique, que se havia convertido na sua casa”, para que a sua morte possa ser “uma semente de paz e reconciliação numa terra que, depois de anos de estabilidade, volta a ser assolada pela violência, causada por grupos islâmicos que há alguns anos semeiam terror e morte nas áreas do norte do país”.

Tal como noticiado pelo 7MARGENS esta terça-feira, uma série de ataques terroristas atingiu a província de Cabo Delgado, em Moçambique, nas últimas semanas, e o Denis Hurley Peace Institute, órgão associado da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral, alertou para o facto de estes ataques estarem a espalhar-se para sul e oeste, em áreas já consideradas estabilizadas.

Neste momento, “acionam-se todos os canais possíveis de comunicação – governo, militares moçambicanos, Santa Sé…- para obter informações sobre o paradeiro dos irmãos que ainda estão desaparecidos”, partilha a irmã Rosário Marinho, na esperança de que muito em breve haja melhores notícias. “Mas vamos continuar o nosso trabalho em Moçambique… não fugimos perante as ameaças. O povo está a sofrer e nós estamos com o povo”, assegura.

 

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