
Budistas em vigília de oração durante a noite de Vesak. Foto © Vinh Dav
Com o aproximar da celebração de Vesak – o tempo sagrado em que se comemora o nascimento, a iluminação e a morte de Buda, e que este ano será assinalado a 23 de maio -, o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso faz questão de manifestar proximidade aos seus “amigos budistas”. Numa mensagem de saudação divulgada esta segunda-feira, 6, o organismo da Igreja Católica reflete sobre a “responsabilidade partilhada” por cristãos e budistas de “promover a paz” e prescreve dois “remédios” para a “cultura de violência” que alastra no mundo: “reconciliação e resiliência”.
“Já abordámos esta questão em diversas ocasiões, mas a contínua escalada de conflitos em todo o mundo exige uma atenção renovada à questão crítica da paz e uma reflexão mais profunda sobre o nosso próprio papel na superação dos obstáculos que impedem o seu crescimento”, pode ler-se na missiva, assinada pelo prefeito do dicastério, o cardeal Miguel Ángel Ayuso Guixot. E é preciso mais dos que “orações e esperanças constantes” da parte de cristãos e budistas, sublinha. “A situação atual exige de nós esforços vigorosos.”
Lembrando que Buda transmitiu a sabedoria atemporal de que “o ódio nunca é aplacado pelo ódio neste mundo. Só é apaziguado pela bondade amorosa”, e que São Paulo exortou os cristãos a abraçarem o ministério da reconciliação iniciado por Deus em Cristo, o cardeal Ayuso Guixot defende que são a reconciliação e a resiliência que nos “capacitam a perdoar e a procurar o perdão, a amar e a estar em paz connosco próprios e com os outros, mesmo com aqueles que nos fizeram mal”.
“Tal como ensinado nos rituais e no culto próprios das nossas respectivas tradições religiosas, a reconciliação e a resiliência são, portanto, os remédios necessários para uma cultura de violência que é muitas vezes justificada como uma resposta lamentável, mas necessária, a ações militares agressivas ou terroristas”, assinala.
E explica: “Quando o perdão é buscado e os relacionamentos rompidos são curados, aqueles que estavam afastados são reconciliados e a harmonia é restaurada. A resiliência capacita indivíduos e comunidades a se recuperarem de adversidades e traumas. Promove a coragem e a esperança num futuro melhor, uma vez que transforma tanto as vítimas como os perpetradores e conduz a uma nova vida”.
Assim, “a reconciliação e a resiliência unem-se para formar uma sinergia potente que cura feridas passadas, cria laços fortes e torna possível enfrentar os desafios da vida com coragem e otimismo”, conclui o cardeal espanhol, deixando um apelo: “Todos nós somos chamados a redescobrir e valorizar estes valores encontrados nas nossas respectivas tradições, a tornar mais conhecidas as figuras espirituais que os encarnaram e a caminhar juntos em prol da paz”.









