Assembleia nacional em Fátima

Renovamento Carismático Católico quer “combater a epidemia do isolamento e da solidão”

| 29 Set 2023

Assembleia Nacional do Renovamento Carismático Católico, Fátima, 2019. Foto Direitos reservados, via Facebook.

Momento da assembleia nacional do Renovamento Carismático Católico que se realizou em 2019, em Fátima. Foto: Direitos reservados.

 

Não é só a Revolução dos Cravos que está prestes a celebrar o seu 50º aniversário… o Renovamento Carismático Católico (RCC) em Portugal também. Foi precisamente sete meses após o 25 de Abril de 1974 que esta “corrente de graça” vinda dos Estados Unidos da América chegou ao nosso país e que o primeiro grupo de oração português se reuniu em Fátima. Aos poucos, os grupos de oração do RCC multiplicaram-se pelas paróquias e, de acordo com um levantamento feito em 2019, chegaram a ser perto de 300, congregando cerca de seis mil “orantes”. Atualmente, “somos certamente menos, porque a pandemia veio alterar tudo”, assinala o coordenador da equipa de serviço nacional, José Luís Oliveira. Mas muitos voltam a reunir-se agora em Fátima para a sua Assembleia Nacional anual, onde esperam encontrar estratégias para revitalizar o movimento e até acolher “novos irmãos”.

O mote para o encontro – que se inicia esta sexta-feira, 29 de setembro, pelas 21h30, e decorre durante todo o dia de sábado – é uma frase retirada da Primeira Carta a Timóteo: “Se alguém não cuida dos seus, e principalmente dos da sua própria casa, renegou-a e é pior que um infiel”. A citação assenta que nem uma luva à fase que o Renovamento Carismático atravessa, porque o grande objetivo é, precisamente, “cuidar desta casa, da casa de cada um e de todos, para que os que estão continuem a sentir-se acolhidos e outros se sintam atraídos a entrar também”, diz José Luís Oliveira ao 7MARGENS.

Entre as várias intervenções previstas ao longo desta assembleia nacional, o coordenador destaca por isso a de “D. Nuno Almeida, bispo da diocese de Bragança-Miranda e Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, que vai falar sobre a Igreja como casa dos movimentos eclesiais, casa de todos e para todos”, e também a do padre José Nuno Silva, capelão do Santuário de Fátima, “especialista na área da fragilidade, que nos vai ajudar a saber lidar com os que estão doentes ou mais frágeis por qualquer motivo, a saber acolhê-los, a rezar com e por essas pessoas”.

Marcarão também presença o padre Anselmo Borges, “que vai falar do eu como casa, de como muitas vezes não estamos bem na casa onde vivemos, na nossa casa interior, que deve ser uma comunhão entre corpo e espírito”, e a jornalista Helena Ferro Gouveia, “que falará da casa enquanto espaço virtual, e em particular das redes sociais e dos fanatismos e radicalismos que aí surgem, e que também existem dentro do próprio movimento”, assinala o responsável.

“Preocupa-nos a existência desse radicalismo e também nos preocupa o muito tempo que se perde nas redes sociais. As pessoas dizem-nos que estão cansadas e que não têm tempo para ir aos grupos de oração, mas depois passam imenso tempo nas redes sociais, acabando por se isolar”, explica José Luís Oliveira, que se depara com esta realidade não só no contexto do movimento, mas também na sua vida profissional, como professor de Educação Moral e Religiosa Católica e como psicólogo clínico.

 

Ir ao encontro dos mais jovens… e dos outros cristãos

Noite de louvor e leitura bíblica do Grupo do Renovamento Carismático Católico Viseu . Foto Direitos reservados, via Facebook.

Noite de louvor e leitura bíblica do grupo de Renovamento Carismático Católico de Viseu. Nem sempre é fácil para os jovens conciliar as reuniões semanais com a faculdade ou o casamento, por exemplo. Foto: Direitos reservados.

 

Ultrapassada a pandemia de covid-19, que fez com que inúmeras pessoas que pertenciam aos grupos – a maioria com mais de 60 anos – deixassem de participar nas reuniões e não regressassem, o objetivo é agora “combater a epidemia da solidão e do isolamento”, sublinha o coordenador da equipa de serviço nacional do RCC.

O mais difícil, reconhece, é atrair os jovens. “Como os nossos grupos se reúnem todas as semanas, nem sempre é fácil conciliar isso com as faculdades, o casamento… Os mais jovens começam por vir com os pais, mas depois deixam de vir, e às vezes voltam já com 40, 50 anos, com as vidas estabilizadas”, explica. “Mas queremos muito que os jovens sintam que o Renovamento Carismático também pode ser para eles”.

De resto, com José Luís Oliveira aconteceu precisamente o contrário. Depois do crisma – feito com 11, 12 anos – afastou-se da Igreja, onde achava que tudo era “muito balofo e bolorento” e descobriu o Renovamento Carismático Católico por volta dos 20, através de uma ação de rua levada a cabo por uma comunidade ecuménica que se encontrava no Porto a convite do movimento. “Apresentaram-me o Renovamento Carismático e lembro-me da primeira vez em que fui a uma reunião… achei que estava num ritual africano!”, recorda, divertido. “A música, as palmas, os gestos… ao início, aquilo pareceu-me estranho, mas o que é certo é que chegava o dia e lá ia eu. Primeiro, estranhei, e depois entranhou-se mesmo!”.

Hoje, com 58 anos, José Luís Oliveira assegura que o Renovamento Carismático Católico é mesmo para todos: velhos, novos,  e até cristãos não-católicos. “Pela primeira vez numa assembleia nacional, a nossa oração final de louvor e cura – que é um momento muito forte, em que pedimos a Deus que continue a fazer prodígios como sempre fez, e que também o faça sobre as pessoas que ali estão – será um momento ecuménico”, destaca.

A iniciativa vai ao encontro do “desafio que o próprio Papa Francisco tem lançado”, explica o coordenador nacional. “E nós queremos dar resposta a esse desafio, até porque todos louvamos o mesmo Senhor, acreditamos no mesmo Espírito e estamos envolvidos no mesmo amor”, conclui.

assembleia nacional RCC_programa

Programa da assembleia nacional deste ano, que pela primeira vez inclui um momento ecuménico.

 

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