
Foram deitadas abaixo as cúpulas da Grande Mesquita de Dongguan, em Xining, na China. Foto © Hiroki Ogawa, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
A República Popular da China tem vindo a multiplicar os constrangimentos à prática religiosa de diferentes religiões. No caso dos muçulmanos, além da prisão de praticantes desta religião e do condicionamento de escritores e estudiosos, surge agora a notícia de que as autoridades estão a remover as cúpulas das mesquitas, a fim de as “sinizar” (tornar mais “chinesas”).
São milhares as mesquitas cujas cúpulas e minaretes em todo o país estão a ser removidos, de acordo com uma recente reportagem da NPR, a rádio pública dos Estados Unidos. As autoridades consideram que as cúpulas são manifestações da influência religiosa estrangeira e estão a derrubar a arquitetura mais abertamente islâmica como parte de um esforço para “sinizar” grupos étnicos historicamente muçulmanos, para torná-los mais tradicionalmente chineses.
O caso mais recente é o da mesquita de Dongguan, no noroeste do país. Ao longo de quase 700 anos de existência, este espaço, já assumiu, logo no período da construção, o estilo de um palácio imperial chinês, com coberturas de telhas e sem cúpulas. Vários séculos depois, já decorado com símbolos budistas, a mesquita quase ficou destruída por negligência durante um tumulto político, no início do século XX. Na década de 1990, as autoridades substituíram as telhas de cerâmica originais no telhado e minaretes por cúpulas verdes. E foram estas que já no corrente ano deitaram abaixo.
Ali, um camponês muçulmano que vendedor nas imediações da mesquita de Dongguan, disse à correspondente da NPR que “o governo diz que quer que nós tenhamos as nossas mesquitas ao estilo chinês, para que se pareçam mais com a Praça Tiananmen de Pequim”.
600 membros de grupo religioso detidos em diferentes províncias chinesas
Entretanto, vinha a público a notícia de que as autoridades chinesas acabam de prender 600 membros da Igreja do Deus Todo-Poderoso, no quadro de um clima de intensificação da repressão.
Esta Igreja, que está proibida na China devido às suas posições antigovernamentais, viu centenas de membros seus em todo o país serem condenados a penas que vão de seis meses a sete anos de prisão, disse a agência católica asiática UCA News, citando o blog Bitter Winter, especializado em questões religiosas chinesas.
Entre os condenados estão pessoas com menos de 20 anos e mais de 67 anos. Uma mulher de 80 anos foi condenada a dois anos e quatro meses. Mais tarde, foi autorizada a cumprir a pena fora da prisão devido à sua idade.










