Argentina

Responsáveis religiosos contra desalojamento de comunidade mapuche

| 6 Out 2022

policia federal argentina em acao de desalojamento de comunidade mapuche foto CELS

O atual Governo, liderado por Alberto Fernández, que inicialmente manifestou estar disposto a dialogar com as comunidades indígenas, parece agora ter mudado de estratégia. Foto © CELS.

 

Os líderes de diferentes Igrejas cristãs de Bariloche (cidade na região da Patagónia, Argentina) apelaram esta quarta-feira, 5, à busca de vias de diálogo e de paz, depois de no dia anterior as forças policiais federais terem iniciado uma operação de desalojamento de uma comunidade indígena mapuche, recorrendo ao uso de gás lacrimogéneo e balas de borracha, e que resultou na detenção de pelo menos dez pessoas, entre elas uma mulher grávida e cinco menores.

Em causa está a ocupação da cidade turística de Villa Mascardi por parte da comunidade mapuche Lafken Winkul Mapu, que afirma que aquele território lhe pertence deste tempos ancestrais e onde, já em 2017, durante o governo do anterior Presidente do país Mauricio Macri, as forças policiais haviam realizado um despejo forçado. Nessa altura, recorda o El País, um dos membros da comunidade, Rafael Nahuel, de 22 anos, foi morto a tiros por um dos agentes enviados para expulsar os mapuches. Meses antes, o também mapuche Santiago Maldonado tinha morrido afogado no rio Chubut enquanto fugia de outra ação de despejo.

Numa declaração assinada pelo bispo de San Carlos de Bariloche, pelos pastores da Igreja Evangélica Luterana Unida e da Igreja Evangélica do Rio da Prata, e pelo superintendente do Distrito da Cordilheira da Igreja Evangélica Metodista Argentina, e divulgada pela AICA (Agência Informativa Católica Argentina), os responsáveis religiosos expressam a sua preocupação com os recentes acontecimentos na área da Villa Mascardi e com a “violência, racismo, xenofobia e preconceito” a eles associados.

A situação, dizem, revela as dificuldades das autoridades em estabelecer canais de diálogo, buscar acordos e resolver conflitos. Os responsáveis religiosos acusam ainda os Estados nacionais e provinciais de não estar a cumprir as leis que favoreceriam a resolução dos conflitos ali e em outras comunidades nativas do país, exigindo o levantamento territorial estabelecido pela Lei 26.160, bem como o cumprimento da Constituição Nacional no reconhecimento das comunidades indígenas.

O atual governo, liderado por Alberto Fernández, que inicialmente manifestou estar disposto a dialogar com as comunidades indígenas, parece agora ter mudado de estratégia. De acordo com o Centro de Estudos Sociais e Jurídicos (CELS), uma das organizações de direitos humanos mais conhecidas na Argentina, “as forças de segurança usaram gás lacrimogéneo e balas de borracha contra mulheres e crianças”, tendo avançado sob pretexto de uma busca de provas relacionada com um incêndio que terá ocorrido na semana passada numa esquadra de polícia daquela região.

“O fogo é atribuído à comunidade e eles não têm nada a ver com isso. Achamos que foi provocado por alguns setores que realizam ações violentas contra a comunidade e que é um despejo disfarçado”, afirma a advogada que representa a comunidade, Laura Taffetani, citada pelo El País.

 

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