
Na Universidade Centro-Americana, ‘O jardim das rosas’ recorda o lugar onde aconteceram os assassinatos. Foto: Companhia de Jesus, Brasil.
A justiça espanhola condenou o ex-coronel e vice-ministro Inocente Orlando Montano Morales a 133 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato de cinco jesuítas espanhóis, num massacre que foi perpetrado pelas Forças Armadas salvadorenhas no campus da Universidade Centro-Americana (UCA) José Simeón Cañas, em 16 de novembro de 1989. Entre as vítimas do crime, estava Ignacio Ellacuría, um dos expoentes da teologia da libertação da época.
A Audiência Nacional de Madrid, tribunal espanhol que julgou o caso, considerou provado que os assassinatos “foram urdidos, planeados e ordenados pelos membros do Alto Comando das Forças Armadas, órgão ao qual pertencia Inocente Montano na sua condição de vice-ministro de Segurança Pública”, tendo estabelecido uma pena de 26 anos e oito meses por cada um dos delitos, avançou a agência AFP na passada sexta-feira, 11 de setembro, depois de ter tido acesso à leitura da sentença.
Montano, 77 anos, extraditado para Espanha em 2017, compareceu ao julgamento (que se realizou no dia anterior) e negou ter participado na reunião “na qual se deu a ordem para matar os padres”. A sua defesa alegou ainda que os factos estavam prescritos segundo as leis salvadorenhas, mas o tribunal considerou que os mesmos continuam a ser puníveis em Espanha, onde a investigação de iniciou em 2009.
Em El Salvador, apenas tinham sido julgados os militares acusados de ser os autores materiais do crime, os quais saíram em liberdade em 1993 devido a uma lei de amnistia. Um deles, o ex-tenente Yusshy René Mendoza, foi agora uma das testemunhas-chave no julgamento de Montano.










