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Resposta à perseguição religiosa é “pouca e demasiado tardia”

| 12/06/2019

Igreja de São Sebastião, um dos alvos dos atentados de Domingo de Páscoa no Sri Lanka. Foto © ACN Portugal

 

“Até ao momento, a resposta da comunidade internacional à violência com base na religião e à perseguição religiosa em geral pode ser classificada como pouca e demasiado tardia”, diz Mark Riedemann, director internacional dos Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Riedemann comentava, deste modo, a institucionalização, pela assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) do dia 22 de Agosto como o Dia internacional das Vítimas da Violência Religiosa.

A resolução da ONU traduz “uma mensagem e um mandato claros – e todos os dias 22 de Agosto são um lembrete – de que os actos de violência com base na religião não poderão ser e não serão tolerados pela ONU, pelos Estados-membros e pela sociedade civil”, acrescentou aquele responsável, citado na página da AIS na internet.

Também a directora do secretariado português da AIS, Catarina Martins Bettencourt, referiu que deve ser uma “prioridade cada vez mais evidente” defender as minorias religiosas perseguidas e que “todos temos o dever de agir, de denunciar e de apoiar essas comunidades”. Todos devem ter “consciência da gravidade que representa a perseguição religiosa”, hoje, em tantos países do mundo, acrescenta.

A aprovação do novo Dia Internacional foi o resultado de um conjunto de iniciativas levadas a cabo inicialmente por Ewelina Ochab, advogada e activista da liberdade religiosa, cujo esforço foi apoiado pela Polónia, que apresentou a proposta na Assembleia-geral das Nações Unidas. Para a advogada, “a inspiração” para que a resolução fosse uma realidade foi o trabalho da AIS, fundação católica internacional dependente do Vaticano, criada em 1947 pelo padre Werenfried van Straaten para apoiar projectos em nações onde a Igreja Católica passa dificuldades.

Todos os estudos sobre a questão da liberdade religiosa apontam para um agravamento desta realidade nos tempos recentes. Há uma clara unanimidade nos relatórios produzidos pela Comissão dos EUA sobre a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), o Pew Research Center e a Ajuda à Igreja que Sofre.

As dificuldades e ameaças vividas pelas comunidades cristãs no Iraque, na Síria ou no Egipto e pelos muçulmanos Rohingya em Myanmar são alguns dos exemplos mais recentes desta realidade agora assinalada com um dia pela ONU.

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