Eu pertenço a esta “esmagadora maioria (96,49%) dos que participaram no inquérito do 7MARGENS que deseja a transformação da Igreja Católica numa Igreja sinodal”. Também pertenço aos “menos de um terço que antevê que tal aconteça à Igreja em Portugal”, sob condições. Se caminharmos como até aqui, sim; mas se mudarmos de rumo, de objectivos, de meios e de intervenientes, acontecerá, sem dúvida, a sinodalidade desejada pelos 96,49%.
O Papa Francisco, ao indicar este caminho, foi bem claro nos seus objetivos:” Todos têm uma palavra a dizer [na resposta à pergunta] que Igreja queremos para o século XXI”.
Por este “todos”, entendeu os praticantes, os que deixaram por qualquer motivo a igreja, os que se retiram definitivamente ou foram para outras confissões, os ateus, os indiferentes… “Todos”.
Casos concretos: passei por uma paróquia e entrei na igreja para uma visita ao Santíssimo Sacramento; estavam numa reunião sinodal; “Todos”? Não; poucos, os mesmos que aparecem todos os dias.
Outro, pessoal e do pároco de uma paróquia onde fui à missa. No fim da celebração, estando à porta a cumprimentar quem saía, perguntei: “Senhor padre, tem algum plano pastoral sobre o Sínodo”? – “isso acabou, e, sabe porquê? Foi um fiasco”!!!
Entrando numa Igreja, vi à porta, um cartaz sobre o Sínodo, como em todas as igrejas. Perguntei: “que quer dizer aquele cartaz? – Não sei… o senhor padre disse qualquer coisa, mas não percebi” ….
A minha proposta:
1. Mentalização e determinação dos próprios bispos;
1.1.Encontros destes, para, em conjunto, decidirem o que fazer a nível nacional.
2. Formação de equipas diocesanas a quem se transmita o decidido e que irão pelas paróquias mentalizar os párocos e as respectivas equipas paroquiais, para evitar que “mais inesperadamente, [sejam] os padres quem menores espectativas têm quanto ao advento de uma Igreja sinodal em Portugal”
3. Estas equipas, já previamente preparadas, darão conhecimento do Sínodo nas suas paróquias, do que se pretende, de modo a abranger esses “todos”. Aplicar o que se costuma dizer a nível comercial: fazer uma “prospecção de mercado”, de modo a evitar “os que respondem “não saber”,
3.1. Planificação dos encontros, com os intervenientes activos – os que se prepararam – e passivos: “todos”, de preferência.
4. Encontros paroquiais de sacerdotes, de preferência em equipa.

“Mesmo entre aqueles que opinam ter a Igreja ‘mudado alguma coisa’ quase metade (48,82%) continuará a descrer de que a progressão em direção à sinodalidade possa vir a marcar o futuro próximo.” Foto © Clara Raimundo/7MARGENS
Caso contrário, “a certeza os dois terços, a nível internacional, de que o Papa Leão XIV vai dar um impulso decisivo ao aprofundamento da sinodalidade”, continuará a ser inútil, porque não há informação, mentalização, animação que gere interesse, entusiasmo, evitando-se, de facto, “um fiasco” e que “a descrença continuará a ser enorme”, “a Igreja, em Portugal, “em breve” não “vai ser muito mais sinodal”, “as alterações introduzidas até agora” foram” e continuarão a ser “nada, muito pouco ou pouco significativas, a convicção de que o futuro não será muito diferente”. “Mesmo entre aqueles que opinam ter a Igreja “mudado alguma coisa” quase metade (48,82%)” continuará a “descrer de que a progressão em direção à sinodalidade possa vir a marcar o futuro próximo”. “Ou seja, em média, é preciso juntar cinco padres para que haja um que acredita em tal cenário. De igual modo, será necessário reunir três leigo(a)s para se encontrar um que partilhe dessa expectativa”.
Os “apenas 3,51 por cento [que] considerava tal transformação como “pouco importante” ou “nada necessária”, mudarão de opinião e juntar-se-ão aos “61,40 por cento [que a] classificava[…] de “muitíssimo necessária” e 21,53 por cento de “muito importante”.
Se assim se proceder, “os de quatro em cada cinco dos participantes no inquérito [que] conferirem tão elevada importância à consolidação de uma Igreja verdadeiramente sinodal” deixará de “contrastar fortemente com o balanço que fazem do processo até hoje vivido na Igreja do seu país”, porque este mesmo processo foi alterado por esta dinâmica.
É preciso, é urgente que a Igreja não se limite a anunciar, no princípio, acontecimentos, e terminado o prazo, a fazer o encerramento.
Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado na exortação apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, e de outras publicações e artigos. Contacto: s.m.falcao@gmail.com
O 7MARGENS aceita e incentiva a reflexão e o debate livre e plural. Os textos de opinião publicados traduzem a opinião dos seus autores.










