Estudo revela

Restrições governamentais à religião atingem “níveis máximos”

| 31 Mar 2024

Putin e o patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. Kremlin.ru, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

Putin e o Patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. A Rússia está entre os países com restrições governamentais “muito elevadas”. Foto © Kremlin.ru, via Wikimedia Commons

 

Um trabalho de investigação levado a cabo pela organização Pew Research Center mostra que em 2021 as restrições governamentais à religião atingiram um “novo pico global”, registando a “pontuação mediana global mais alta” em quase 20 anos. Os resultados do estudo foram divulgados este mês de março pela organização sem fins lucrativos sediada em Washington D.C., nos Estados Unidos da América (EUA), que analisa estes dados globais há quase duas décadas.

 

Assédio e interferências

De acordo com o estudo, diversos grupos religiosos enfrentaram assédio governamental em 183 países, o maior já registado. Os governos de pouco mais de 160 países, um número quase recorde, interferiram no culto religioso. No âmbito deste relatório, “assédio” inclui o “uso de força física contra grupos religiosos, comentários depreciativos por parte de funcionários do governo, e políticas que isolam grupos ou tornam a prática religiosa mais difícil”. Já a “interferência” no culto religioso foi definida como “ações que perturbam as atividades religiosas, a retenção de licenças para tais atividades ou a negação do acesso a locais de culto”.

 

Restrições e hostilidades

O estudo debruçou-se também sobre restrições religiosas e hostilidades. No topo da lista de países com restrições governamentais “muito elevadas” estão a China, Rússia, Afeganistão, Irão e Argélia. Os países com pior classificação em termos de hostilidades sociais são a Nigéria e Índia.

Entre 2020 e 2021, o Paquistão e o Turquemenistão passaram da lista de países com restrições governamentais “elevadas” para aqueles com restrições “muito elevadas”. A Eritreia e o Brunei passaram da categoria “muito alta” para “alta”.

Os cristãos foram alvo de ataques em 160 dos países analisados, os muçulmanos foram perseguidos e alvo de restrições em pouco mais de 140 e os judeus em 91. Cinquenta e cinco países não tiveram qualquer alteração.

O número total de países com níveis “elevados” ou “muito elevados” de restrições governamentais diminuiu ligeiramente em relação ao ano anterior, embora a “pontuação mediana do índice para todos os países” tenha aumentado globalmente. Pouco mais de um quinto dos países apresentava níveis elevados de “hostilidades sociais” envolvendo “violência e assédio por parte de indivíduos, organizações ou grupos”.

Os países da Europa Oriental e da Ásia registaram as taxas mais elevadas de restrições governamentais à religião, enquanto os países da Europa Ocidental e grande parte de África relataram níveis elevados a moderados dessas restrições. As restrições nos EUA foram classificadas como “moderadas”. No geral, o índice global de restrições governamentais foi o mais elevado alguma vez registado.

 

Liberdade religiosa no mundo

Relatório Liberdade Religiosa no Mundo. Foto © Fundação AIS

O relatório Liberdade Religiosa no Mundo, da Fundação AIS, chegou a conclusões semelhantes ao estudo do Pew Research Center. Foto © Fundação AIS

 

Uma conclusão semelhante ao estudo do Pew Research Center foi obtida no relatório sobre liberdade religiosa no mundo de 2023, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). O documento foi conhecido em junho do ano passado e veio mostrar que não existe liberdade religiosa num terço dos países. [ver 7MARGENS] “Dos 196 países analisados, em 61 há restrições à liberdade religiosa. Este relatório mostra-nos que em cerca de um terço dos países do mundo não há liberdade religiosa ou há uma violação da liberdade religiosa”, disse Catarina Martins de Bettencourt, diretora da FAIS em Portugal, a propósito do documento. “Outra conclusão muito importante deste relatório é que cerca de 62 por cento da população mundial vive nestes 61 países, onde não há efetivamente liberdade religiosa”, alertou a responsável.

 

Texto publicado ao abrigo da parceria entre o 7MARGENS e a revista Fátima Missionária.

 

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