Em França

Retórica anti-islão marca campanha presidencial

| 27 Mar 2022

Imagem de um Auqarto Crescente, símbolo do Islão, através de uma janela. Foto © Ricardo Perna

As críticas ao Islão têm sido usadas pelos candidatos de extrema-direita às presidenciais francesas para tentar subir nas sondagens. Foto © Ricardo Perna

 

A campanha presidencial em França tem conhecido um endurecimento do discurso anti-islão, o que provoca o risco de criar uma “espiral de ódio”, considera o reitor da mesquita de Paris, Chems-eddine Hafiz.

O facto de Emmanuel Macron estar a liderar as sondagens tem feito com que alguns candidatos optem por focar os seus discursos na imigração e no islão como forma de subirem nas sondagens. “Estamos numa sociedade fraturada e em busca de si mesma, uma sociedade enfraquecida e com medo após a pandemia. O facto de procurar um bode expiatório – houve precedentes para isso: em 1930, quando o dedo começou a ser apontado para os judeus que se tornaram ‘o problema de toda uma sociedade’… Hoje não são os judeus, são os muçulmanos… Sempre pensei que no século XXI estaríamos livres deste tipo de discurso.”

Candidatos como Eric Zeemour, Marine Le Pen e até Valérie Pécresse, que concorre pelo partido conservador de direita de Nicolas Sarkozy e afirmou num comício em Paris que iria limitar o uso do véu muçulmano em alguns espaços públicos, incluindo a atletas em eventos desportivos, têm endurecido o seu discurso, visando a comunidade muçulmana e a antiga teoria da “substituição”, pela qual os muçulmanos estavam a chegar e em breve seriam a maioria da população em França.

Chems-edinne Hafiz disse ao The Guardian que, apesar das principais preocupações dos eleitores franceses serem questões como enfrentar as suas despesas, tornou-se “quase moda” para os candidatos “criticar o islão e os muçulmanos, vê-los como indesejáveis, perigosos ou que trazem insegurança”.

Anne Hidalgo, a candidata do Partido Socialista, que está a baixar nas sondagens, visitou a mesquita de Paris recentemente, onde alertou contra os candidatos presidenciais que usam os muçulmanos como bodes expiatórios. E disse que estava extremamente preocupada com o discurso político “de ódio” que prejudica a “fraternidade” em França.

 

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