Uma religiosa e duas leigas

Reunião do Conselho dos Cardeais com o Papa voltou a contar com três mulheres

| 19 Jun 2024

Reunião do C9 com o Papa, 18 junho 2024. Foto Vatican media

No segundo dia do encontro, o cardeal Seán Patrick O’Malley, presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, partilhou alguns relatórios sobre o trabalho desenvolvido pela mesma. Foto © Vatican Media

Pela quarta vez consecutiva, o papel das mulheres na Igreja voltou a estar no centro dos trabalhos do Papa e do seu Conselho de Cardeais – conhecido como C9 -, que se reuniu no Vaticano nos últimos dois dias, 17 e 18 de junho. Tratou-se de uma reflexão não apenas sobre as mulheres, mas com as mulheres, dado que – tal como nas reuniões anteriores – estiveram presentes três elementos femininos naquele que habitualmente era um encontro reservado aos prelados.

Desta vez, além da “repetente” Linda Pocher – irmã salesiana que leciona Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium de Roma – intervieram também a cientista social italiana Valentina Rotondi – investigadora do Departamento de Sociologia da Universidade de Oxford que tem estudado as desigualdades entre homens e mulheres – e a teóloga italiana Donata Horak, professora de Direito Canónico no Estúdio Teológico Alberoni de Piacenza, afiliado à Pontifícia Universidade Angelicum.

Rotondi – lê-se na nota da Sala de Imprensa do Vaticano – “destacou uma visão da economia como cuidado e boa gestão no contexto de uma profunda relação intergeracional”, enquanto Horak apontou “várias antinomias, como justiça e misericórdia, poder consultivo e poder deliberativo, princípio hierárquico e eclesiologia de comunhão, democratização e modelo monárquico, no contexto de uma reflexão mais ampla sobre o Direito Canónico”.

 

“Ficou claro que as responsabilidades das mulheres devem crescer”

Dois elementos do C9 destacaram aos média do Vaticano a importância desta participação feminina nas últimas reuniões. “Nas nossas igrejas, mais de metade das pessoas que participam das celebrações são mulheres, mas quando vemos as responsabilidades que elas têm, são poucas”, observou o  cardeal Fridolin Ambongo Besungu, arcebispo de Kinshasa. “Depois de todas estas reuniões, continuou, ficou claro para nós que essas responsabilidades devem crescer”. Mas não num sentido “militante”, ressalvou. E sim porque, como diz o Papa, “a Igreja é mulher” e há uma “maternidade” que deve ser valorizada na comunidade eclesial.

O cardeal Oswald Gracias, arcebispo metropolitano de Bombaim, concordou que o papel feminino na Igreja precisa de ser ampliado. “Venho da Índia e, em algumas áreas, as mulheres têm pouca importância, são de ‘segunda classe’, e por essa razão a Igreja está a trabalhar para dar-lhes a posição correta na família, na sociedade, na política”. Na Igreja, no próprio Direito Canônico, “há muitas possibilidades” para um perfil de liderança feminina na Igreja, adiantou, assinalando que a sua experiência lhe mostrou “muitas vezes” que as mulheres foram capazes de abordar questões com um “ponto de vista que os homens não haviam considerado”, e que tem “grande esperança” de que isso se desenvolva.

 

Proteção de crianças e conflitos no mundo também abordados

Já sem a presença das mulheres, outro dos temas debatidos na mais recente reunião do C9 com Francisco foi a proteção de crianças no seio da Igreja Católica. No segundo dia do encontro, o cardeal Seán Patrick O’Malley, arcebispo de Boston e presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, partilhou alguns relatórios “sobre as perspectivas abertas pelo trabalho da Comissão para a Proteção de Menores na área de safeguarding”. Foi ainda dada atenção “às situações nas diferentes áreas do mundo de onde vêm os cardeais do Conselho, com atenção especial aos conflitos em curso”, informou o Vaticano.

Os nove cardeais conselheiros voltarão a reunir-se com o Papa em dezembro deste ano.

 

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