Revista jesuíta denuncia abusos de poder nos conventos: freiras sujeitas a chantagem e manipulação

| 31 Jul 20

religiosas fazem mascaras cirurgicas covid-19

Freiras a trabalhar durante a quarentena deste ano, numa comunidade em França: a revista jesuíta refere casos de abuso de poder que até as consultas médicas atinge. Foto © Paróquia de Draguignan

 

A revista jesuíta Civiltà Cattolica denunciou esta quinta-feira, 30 de julho, a existência de inúmeros casos de abuso de autoridade por parte de superioras das congregações religiosas femininas, em particular sobre freiras provenientes de países pobres.

O artigo publicado na edição de agosto da revista dos padres jesuítas italianos, considerada como reveladora do pensamento oficioso do Vaticano, revela situações de discriminação, em que as responsáveis pelas instituições asseguram para si próprias “privilégios exclusivos, como tirar proveito dos melhores cuidados médicos, enquanto aquelas que são ‘simples freiras’ nem sequer podem ir ao oftalmologista ou ao dentista, porque ‘é preciso poupar dinheiro’”.

Em alguns conventos, “tudo passa pela decisão (ou capricho) de uma mesma pessoa”, sublinha a reportagem, desde a compra de uma peça de roupa à ida de férias, do tempo de descanso a uma simples caminhada.

É ainda frequente a atribuição de “gratificações arbitrárias”, como por exemplo oportunidades de formação ou estudo, aos elementos “mais fiéis e dóceis” da comunidade, em detrimento daqueles “que expressam um pensamento diferente”, assim como “formas de chantagem para conseguir uma gestão ilimitada de poder”, revela o artigo.

Também existem abusos sexuais, aos quais a opinião pública dá tendencialmente mais relevância, “mas isso não significa que [o abuso de poder dentro das congregações femininas] seja menos importante e tenha menos consequências negativas”, sublinha o autor da reportagem, o padre jesuíta Giovanni Cucci, que para a realização deste trabalho ouviu o testemunho de diversas religiosas.

Numa entrevista à revista Donne Chiesa Mondo (“Mulheres Igreja Mundo”), suplemento feminino do jornal L’Osservatore Romano, em janeiro deste ano, o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, tinha já reconhecido a existência deste drama, que tem levado inúmeras religiosas a abandonar as congregações. “Houve casos em que as ex-religiosas tiveram que prostituir-se na rua para poder sobreviver”, revelou na altura Braz de Aviz. “É um fenómeno que até agora estava oculto, mas que terá de ser conhecido.”

 

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